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Qualificados na frente

17.12.2004


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Ruben Eiras

OS PORTUGUESES mais qualificados são os primeiros a beneficiar com a criação de postos de trabalho gerada pela (ainda) tímida retoma económica. Segundo os dados do desemprego registado do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), em 2003, os docentes nível intermédio do ensino, os especialistas em física, matemática e engenharia, os técnicos de ciências da vida e da saúde, e os directores de pequenas empresas estavam entre os 10 grupos de profissões com mais desemprego. Um ano volvido, a situação inverteu-se, sendo estas as profissões onde se verificou a maior redução do desemprego, com excepção dos directores de pequenas empresas.

De acordo com Mário Ceitil, director-geral da Cegoc, esta tendência emergente no mercado de trabalho nacional advém do facto de os motores da economia portuguesa estarem associados às pressões de empresas e grupos financeiros internacionais ou a empresas portuguesas «de ponta».

«Para funcionarem, este tipo de empresas necessitam de recorrer a pessoas com competências e qualificações mais avançadas e já com provas dadas no mercado — são estes sectores económicos os mais dinâmicos na empregabilidade, o que explica que a retoma seja feita mais à custa das profissões qualificadas»
, explica.

Mark Bowden, director-geral da Hays Specialist Recruitment, corrobora esta análise, referindo que na primeira metade de 2004 a sua empresa registou «um aumento de 70% nos pedidos de recrutamento por parte dos clientes». A mesma tendência de contratação também é notada na Michael Page, uma empresa de «executive search».

Segundo Manuel Arroja, director-geral daquela entidade, a prioridade para as empresas é começar a recrutar para funções mais estratégicas e qualificadas, já que são estas as responsáveis pelo desenvolvimento e crescimento das organizações. «Depois de ter sido dado este passo iremos assistir ao recrutamento das posições menos qualificadas, mediante as novas políticas a serem implementadas», prevê.

Mais desemprego estrutural no horizonte

Todavia, os três especialistas contactados pelo EXPRESSO estão convictos de que o mercado de trabalho português atravessa uma fase de mudança profunda, que irá resultar no aumento do desemprego estrutural, maioritariamente constituído pelos menos qualificados. «Esta tendência é consequência do fecho e da deslocalização da indústria», comenta Mark Bowden, apontando que este comportamento é gerado pela combinação da lei laboral restritiva com a baixa qualificação e salários elevados da mão-de-obra portuguesa. «Os países de Leste são mais qualificados e com salários mais baixos, e por isso mais competitivos», acrescenta.

«A mudança estrutural, que já se anuncia, colhe-nos, mais uma vez, com um atraso significativo em relação aos nossos parceiros europeus», critica Mário Ceitil.

Mas apesar do panorama pouco favorável ao país, no curto prazo, o gestor da Cegoc está confiante de que esta situação criará maior pressão para o aumento muito rápido das qualificações e melhoria das competências, maior oferta de meios de educação e de formação e maior mobilidade para aqueles que conseguirem ter as competências requeridas para a economia do conhecimento.

«Também mudarão as mentalidades e os paradigmas, norteados por exigências de maior qualidade e fiabilidade nos bens e serviços e maior rigor e responsabilidade nos processos de decisão e de gestão empresarial», conclui.


Dicas para emprego

1-Seja pró-activo e adopte uma mentalidade ganhadora

2-Mantenha uma «mentalidade de abundância», ou seja, acredite que o mundo é grande e que é possível vencer através de uma postura «win-win»

3-Mantenha um espírito profissional em tudo o que fizer. Lembre-se: conseguir um emprego é, mais do que um direito adquirido, uma conquista pessoal

4 - Pergunte-se sobre os seus projectos pessoais e profissionais

5 - Defina as suas metas; o que espera da nova posição a que se candidata (posição, importância da empresa, função, salário, responsabilidades, por exemplo)

6 - Precise o seu projecto profissional: é lógica a sua trajectória?

7 - E o seu projecto é coerente com a sua trajectória profissional?

8 - Porque pretende a posição oferecida? Coincide a sua candidatura com a função procurada?






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