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Oportunidades de trabalho invadem Lisboa

01.02.2003


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Cátia Mateus e Maribela Freitas

APESAR da chuva e do frio que se faziam sentir na cidade de Lisboa, muitas foram as pessoas que ocorreram à Estufa Fria, à II Feira de Emprego. No olhar levavam a expectativa de encontrar um novo posto de trabalho.

Nas longas filas para entregar um currículo, num dos 36 expositores aqui representados, encontravam-se indivíduos de meia-idade e jovens. O que vem provar que o flagelo do desemprego não escolhe idades nem qualificações profissionais para se fazer sentir.

De acordo com a organização, terão visitado a feira mais de 20 mil pessoas para cerca de 2500 ofertas de trabalho. Numa altura em que os despedimentos aumentam em catadupa, os que estão sem trabalho aproveitam todas as oportunidades para resolver a sua situação.

O NÚMERO de desempregados em Portugal é assustador e o drama aumenta quando reparamos que uma parte significativa deste desemprego é qualificado.

Com a bandeira da crise económica a motivar encerramentos de empresas e despedimentos em massa, aos desempregados resta procurar uma luz ao fundo do túnel. Talvez por isso a II Feira de Emprego de Lisboa, realizada na passada semana, tenha registado um índice de adesão acima do previsto.

Em pleno dia de abertura, às 11 da manhã de uma sexta-feira, todos os caminhos iam dar à Estufa Fria. À porta do recinto, o sentimento geral era de esperança. Jovens e adultos de meia idade aguardavam pacientemente nas várias filas para entregar um currículo, esperando que um dos cerca de 2500 empregos disponíveis acabasse por ser seu. É o retrato de um país, onde o desemprego ameaça continuar a fazer vítimas.

Catarina Martins, de 25 anos, não esperou pelo fim-de-semana para visitar a Feira de Emprego. Desempregada há quatro meses, esta ex-assistente administrativa, depois de responder a anúncios nos jornais e na internet, foi tentar a sorte no certame. "Procuro um trabalho na área administrativa e as ofertas apresentadas pelo 'stand' da Adecco, aqui na feira, pareceram-me aliciantes", explica.

De forma calma e paciente, Catarina esperava a sua vez de mostrar o que vale. À sua frente, na fila para entregar o currículo, estavam mais de uma dezena de indivíduos, entre jovens e pessoas de meia-idade, cujo objectivo era também o de conseguirem um emprego. A realidade é que em Portugal muitas pessoas vivem dias de desespero. Sejam os jovens ou menos jovens, o facto é que o índice de desemprego aumentou a instabilidade social e económica no país.

E se para quem é natural do país e fala correctamente a língua portuguesa é difícil conseguir emprego, para os estrangeiros os entraves são ainda maiores. Juliete Chantler é irlandesa e tem 24 anos. Chegou a Portugal em Abril com a promessa de um emprego para leccionar inglês. Hoje está desempregada e a Feira de Emprego foi mais uma tentativa para encontrar um posto que lhe garanta a permanência no país.

A primeira edição da Feira de Emprego de Lisboa, a Jobfair, entidade organizadora (em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa), registou cerca de 10 mil visitantes, enquanto a segunda edição do evento, segundo a organização, teve "entre 20 e 25 mil visitantes". Com 36 expositores, a II Feira de Emprego de Lisboa surge numa altura particularmente difícil para quem procura ingressar no mercado laboral. Diz a organização que "o momento é de grande apreensão para quem procura emprego. Por isso a adesão foi bastante elevada".

As filas intermináveis e os longos períodos de espera para quem tentava a sua sorte dominaram os três dias do evento.
"Na primeira edição da feira tínhamos presentes muitas empresas de trabalho temporário; hoje já encontramos mais empresas especializadas, que vêem aqui uma boa oportunidade para encontrar o colaborador ideal", explica uma fonte da organização. Além de instituições ligadas aos recursos humanos, outras, nas áreas dos seguros, combustíveis, limpeza e Forças Armadas marcaram presença. António Ramos, sargento-ajudante, representando a Marinha, explica: "O nosso intuito é, através desta presença, cativar os jovens para a Marinha, mostrando-lhes que é uma carreira aliciante". De acordo com o militar, os jovens não estão bem informados acerca do que é a vida no mar e de como funciona a Marinha. Daí a necessidade de representar este ramo das Formas Armadas nestes eventos.

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) é parceira da Jobfair na organização da II Feira de Emprego de Lisboa. Uma participação que Ana Sofia Bettencourt, vereadora-adjunta da autarquia, quer repetir. "Não é de um dia para o outro que se resolve a questão do desemprego, mas as autarquias têm a responsabilidade de se afirmar como elementos activos na estratégia de combate a este problema", frisa.

A adesão ao "stand" da autarquia lisboeta foi bastante satisfatória. A CML colocava ao dispor dos visitantes a possibilidade de se candidatarem a estágios profissionais não remunerados. Entre as candidaturas registadas, Cristina Mendes, responsável do "stand", destaca o volume de pedidos para as áreas da gestão e administração pública, comunicação, arquitectura, história, direito e "marketing".

Mas a falta de emprego que afecta o país também atinge os altamente qualificados. Constança Sousa é licenciada em Economia e está desempregada desde Agosto. A sua experiência profissional no estrangeiro não foi suficiente para assegurar o posto de trabalho na altura em que a empresa, semipública, onde trabalhava teve de "congelar" as entradas para o quadro.

Desde então, tem procurado emprego, e, para não ficar parada, optou por ingressar num Mestrado. O futuro, diz, é incerto, mas "é preferível esperar e encontrar uma função adequada à minha formação e que me dê prazer do que aceitar um trabalho para o qual não estou minimamente motivada".


 

 







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