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O milagre do calçado português

O milagre do calçado português

De Portugal para o mundo saem anualmente 75 milhões de pares de sapatos. Nos últimos anos, empresários como Luís Onofre têm travado a batalha pela modernização e internacionalização de um sector que já emprega 35 mil pessoas e continua a contratar. Inovação e conhecimento ditam o sucesso o calçado made in Portugal. 

04.04.2014 | Por Cátia Mateus


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Na lista dos melhores, mais cobiçados e caros do mundo, o calçado português só está atrás do italiano, mas para a Apiccaps - Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos, em menos de uma década a realidade será bem diferente. Nos últimos anos a fileira nacional do calçado traçou um caminho de conquista internacional, sustentado na inovação, qualidade, criatividade e estratégia que se revelou um sucesso. O sector não só aumentou 40% as suas vendas nos últimos quatro anos, como mudou a imagem, conseguiu atrair para o país investimento estrangeiro e tem conseguido criar postos de trabalho não só nas áreas de produção com outras, com maiores carência de qualificação.

De Portugal para o mundo saem anualmente 75 milhões de pares de sapatos onde a inovação é a tónica dominante. Há-os com sola de pneu reciclado, com design arrojado e apelativo, há os que reinventam a tradicional tamanca dando-lhe um novo Look e, pasme-se, também criamos galochas com aroma. A inovação e a criatividade conseguiram promover a renovação de um sector tradicional tornando-o mais sexy aos olhos do mercado internacional, mas também dos inúmeros profissionais que já encaram a indústria como uma primeira hipótese de carreira.

Somam-se em território nacional os exemplos de sucesso de empresários que apostaram na revitalização de negócios familiares neste sector e com a sua visão conquistaram mercados internacionais (ver caixa). Mas também se sucedem os exemplos de empresários estrangeiros que atraídos pela dinâmica do sector nacional e pela sua visibilidade no mercado global estão a investir e criar emprego em Portugal. Os suecos detentores da Ecco são disso um exemplo. A empresa que já assegura 861 empregos na sua fábrica de Santa Maria da Feira, acaba de anunciar o investimento de 15 milhões de euros em Portugal com vista ao aumento da sua capacidade de produção nacional. A aposta permitirá a criação de 300 novos postos de trabalho que serão repartidos entre perfis mais jovens, mas também profissionais seniores com experiência no sector e quadros qualificados para a áreas de suporte à produção. Uma estratégia em tudo semelhante à da alemã Ara, especializada em calçado de conforto, que está também a recrutar 50 novos colaboradores para a sua fábrica de Seia.

Paulo Gonçalves, porta-voz da Apiccaps, confirma a tendência. O número de colaboradores do sector tem aumentado ligeiramente nos últimos anos, sobretudo à custa da área de produção, responsável por grande parte das novas contratações. Paulo Gonçalves enfatiza o rejuvenescimento do sector que tem, assegura, “proporcionado oportunidades de carreira para muitos jovens”. Longe da conotação de emprego pouco qualificado que durante décadas caracterizou o sector, “a fileira nacional do calçado procura atualmente profissionais altamente qualificados tanto para as áreas da produção como para outras de maior atratividade como a informática, logística, novas tecnologias, design, comunicação, marketing ou gestão”, explica o porta-voz da Apiccaps.

Para Paulo Gonçalves a continua expansão deste sector rumo às metas que tem definidas passa por continuar a migrar a produção para segmentos de alto valor acrescentado, tornando o calçado português a grande referência a nível mundial. “Queremos reforçar a quota de mercado na Europa e aprofundar a presença em novos mercados como a América latina, China, Japão, Estados Unidos ou Rússia”, explica. Ser a referência internacional da indústria do calçado pela sofisticação e criatividade, reforçando as exportações portuguesas, alicerçadas numa base produtiva nacional sustentável e altamente competitiva, fundada no conhecimento e na inovação, é a grande bandeira do Footure 2020, o Plano Estratégico do Cluster do Calçado recentemente apresentado. Até ao final da década, a meta é “conseguir um salto qualitativo no processo de afirmação internacional do calçado português, estabelecendo-o como uma referência da indústria a nível mundial”, enfatiza.

Estrelas do made in Portugal
O calçado português chega a 132 países nos cinco continentes. É em mercados europeus como a França, Alemanha, Holanda, Espanha ou Reino Unido, mas também em Angola, na China, Rússia ou Estados Unidos que as vendas mais estão a crescer. Para esta performance terá contribuído o espírito inovador de vários empresários portugueses que apostaram da redinamização da fileira do calçado nacional com inovação e criatividade.

Luís Onofre é dos nomes mais reconhecidos internacionalmente. O empresário pegou na fábrica de calçado da família, em Travanca (Oliveira de Azeméis) e começou a criar sapatos que calçam pés em Moscovo, no Dubai, Xangai ou Luanda. Como consegue agradar a públicos tão distintos? Com dedicação, qualidade, criatividade e muito investimento pessoal. O empresário faz questão de acompanhar cada etapa do processo de produção e esse é um dos seus grandes trunfos.

De Portugal para o mundo saem também marcas como Timberland, Rockport, Fly London ou a XUZ que escreveu uma nova história ao tamanco, transformando-o em vistosas e modernas sandálias ou botas com sola de madeira. No panorama internacional destacam-se ainda inúmeras outras marcas de sucesso, como a portuguesa Guava, de Inês Caleiro, que encara da sapato como obra de arquitetura.



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