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O funcionário

29.07.2005


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Vítor Andrade


UMA hora e meia depois de ter chegado à repartição, a mulher de criança ao colo viu finalmente o número da sua senha ser pronunciado pelo funcionário. Avançou para o guichê, sentou-se de frente para o funcionário e com alívio começou a explicar porque estava ali. Ao fim da terceira palavra o funcionário disse-lhe para esperar «um bocadinho» se não se importasse. Inconformada, mas resignada, ficou ali à espera, já no guichê, para não perder a vez.

Passaram cinco minutos, dez, quinze, vinte e, meia hora depois, com o jornal dobrado debaixo do braço e o cigarro ao canto da boca, lá veio o funcionário do lado da rua com ar de quem tinha ido com toda a calma tomar o seu café. Poderia ser ficção mas passou-se esta semana numa repartição de finanças de Lisboa, num dos bairros fiscais mais concorridos. A mulher reclamou pela falta de respeito e de profissionalismo mas o funcionário considerou tudo normal e o colega do guichê ao lado concordou.





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