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Mulheres em risco laboral

06.02.2004


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Cátia Mateus e Fernanda Pedro

O MERCADO de trabalho da União Europeia (UE) ainda segrega o sexo feminino. A conclusão é da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (AESST) que, num relatório agora divulgado, analisa a "Problemática do género na segurança e saúde no trabalho". A agência avança que "os ambientes de trabalho a que as mulheres e os homens estão expostos, bem como o tipo de exigências e pressões a que estão sujeitos, são diferentes, ainda que no mesmo ramo de actividade e na mesma profissão".


A segregação denunciada pela agência ocorre não só entre sectores de actividade como também entre cargos. Nas suas conclusões, a AESST revela que, "muitas vezes, as tarefas desempenhadas por uma mulher num determinado cargo são diferentes das desempenhadas por um homem, exactamente no mesmo posto".

As condições de emprego também não são favoráveis para as mulheres. Tendencialmente, o sexo feminino é mais afectado pelo trabalho precário e por actividades mal remuneradas.

Nos locais de trabalho, há também uma forte segregação vertical. Os homens, diz o relatório, "continuam a ter mais possibilidades de ocupar posições de chefia". As mulheres predominam na modalidade de trabalho a tempo parcial.

Esta conjuntura, agravada pelo facto de as mulheres terem tendência a manter a mesma actividade por períodos mais longos que os homens, contribui para agravar os riscos de doenças profissionais entre o sexo feminino.

A agência alerta para o facto da desigualdade entre sexos, tanto no local de trabalho como fora dele, ter "também repercussões para a segurança e saúde das mulheres, existindo uma forte ligação entre problemas de descriminação mais alargados e a saúde".

As mulheres continuam ainda a ter a seu cargo as tarefas domésticas não-remuneradas e a responsabilidade do tratamento das crianças e dos familiares. Tarefas que, acrescidas à situação profissional quotidiana, representam uma pressão suplementar, sobretudo nos casos em que haja incompatibilidade entre o horário de trabalho e a vida privada.

Face a estas diferenças substanciais nas condições de trabalho entre ambos os sexos, a agência conclui que "os riscos para a segurança e saúde relacionados com o trabalho a que estão sujeitas as mulheres têm sido subestimados e negligenciados, tanto na investigação como na prevenção, face aos mesmos riscos a que estão sujeitos os homens".

Um desequilíbrio que "deve ser tido em conta ao nível da investigação, sensibilização e prevenção", frisa a AESST.

Aquela organização apela no seu relatório à necessidade de consolidação de iniciativas estruturadas tendo em vista a melhoria das condições de trabalho em ambos os sexos, já que "as mulheres estão sub-representadas, a todos os níveis, no processo de tomada de decisão em matéria de saúde e segurança no trabalho".

Na base do relatório elaborado pela AESST está a análise das diferenças em função dos géneros no local de trabalho. São contabilizados factores como a ocorrência de ferimentos e a prevalência das doenças de origem profissional, bem como a avaliação da falta de conhecimentos e as respectivas implicações para a melhoria da prevenção dos riscos.

Sexos divididos nos riscos

OS RISCOS e as consequências para a saúde das diferentes profissões divergem para ambos os sexos.

No caso das mulheres, existem tarefas que as expõem mais a determinadas doenças, nomeadamente ao stresse.

Apesar das taxas serem elevadas também para os homens, são elas quem mais sofre com esta doença, sobretudo quando confrontadas com o assédio sexual, a discriminação, o trabalho mal reconhecido, uma actividade exigente do ponto de vista emocional e o fardo do "duplo emprego" (o profissional e o doméstico).

São igualmente as mulheres as mais vulneráveis aos problemas de asma e alergia, bem como doenças de pele. Algumas das causas são os produtos de limpeza, de esterilização, dos pós de luvas de protecção em latex utilizadas nos cuidados de saúde e das poeiras na indústria têxtil e do vestuário.

O contacto com a água em sectores como o da restauração, com agentes de limpeza e produtos químicos de cabeleireiro são prejudiciais para as mãos e pele. São também elas as mais penalizadas com distúrbios dos membros superiores provocados pelo ritmo de algumas tarefas altamente repetitivas.

Quanto aos homens, estão mais expostos a acidentes de trabalho. Nomeadamente quando se trata de elevação de cargas pesadas. A exposição ao ruído com a consequente perda de audição é mais frequente surgir no sexo masculino. A taxa do cancro profissional é igualmente mais elevada nos homens.

Relativamente às consequências para a saúde das horas de trabalho inadequadas, as incidências são iguais para ambos os sexos. Os homens trabalham mais horas suplementares remuneradas, enquanto que as horas suplementares das mulheres consistem no trabalho doméstico não remunerado.





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