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Espanha - Telefónica fracassa na semana laboral de quatro dias

Espanha - Telefónica fracassa na semana laboral de quatro dias

Redução salarial e contexto desfavorável são os argumentos dos trabalhadores contra o plano

29.07.2022 | Por Ángel Luis de la Calle


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A primeira experiência de implantação da semana laboral de quatro dias numa grande empresa espanhola resultou frustrada. Apenas 2% do quadro de efetivos da Telefónica responderam favoravelmente à proposta da companhia para uma jornada de trabalho de segunda a quinta-feira. O plano, conhecido como Jornada Semanal Flexível Bonificada estava aberto aos 18 mil empregados em Espanha desde um ensaio realizado em outubro com 150 trabalhadores, que se saldou por um “êxito notável”, segundo porta-vozes da empresa. Espanha acompanha com certa dificuldade e menos frequência que noutros países a tendência generalizada para reduzir o tempo de trabalho semanal, em prol da conciliação familiar, do ócio produtivo e da saúde dos trabalhadores.

O plano da Telefónica supunha trabalhar oito horas diárias de segunda a quinta-feira, para somar um total de 32 horas semanais, face às atuais 37,5. Em troca, verifica-se uma baixa salarial de 16,5% e nas quotizações sociais de maneira proporcional. Na opinião dos trabalhadores, a causa do fracasso inicial do plano deve-se a que a oferta da empresa é pouco atrativa pela redução de salário num contexto de incerteza económica. “O sistema é válido, e estou convencido de que terá êxito no futuro, mas neste momento, com a inflação galopante que sofremos, a redução do salário pesa muito”, disse ao Expresso Santos Peñalba, empregado em Madrid e filiado no sindicato de orientação socialista União Geral de Trabalhadores (UGT). Muitos empregados próximos da aposentação preferem inscrever-se no Plano de Saídas Incentivadas da Telefónica, e assim vão para casa com 65% ou 68% de salários e complementos e as quotizações para a Segurança Social a cargo da empresa até à idade de aposentação oficial.

 

Casos de sucesso

Outras experiências em empresas privadas espanholas estão a desenvolver-se com mais êxito. Uma das pioneiras é a Software Delsol, radicada em Jaén, que desde 2020, segundo explica Ana Arroyo, responsável dos Recursos Humanos, tem implantada a semana laboral de quatro dias. Estabeleceram um sistema rotativo para que os clientes não fiquem sem assistência às sextas-feiras, o que obrigou à contratação de cinco novos trabalhadores. Não há cortes salariais e a produtividade não se ressentiu. Na firma de moda Desigual, os empregados têm três dias livres seguidos em troca de perderem 6,5% do salário que é compensado, segundo assegura Tony Chércoles, empregado numa loja deste grupo num centro comercial, “com poupanças em transportes, refeições e outros gastos”. Uma sondagem interna assinalava que 90% do quadro de efetivos da empresa estavam “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com a experiência, “que aumenta a felicidade e favorece a conciliação familiar”. Na Good Rebels, uma empresa especializada em marketing digital, foi implantada sem dificuldades e sem reduções de salários nem de quotizações sociais a jornada semanal de 32 horas e a produtividade aumentou.

A Confederação Espanhola de Organizações Empresariais Apenas 2% dos trabalhadores da Telefónica aderiram à semana de quatro dias (CEOE) não é grande partidária de acelerar os processos de redução horária. “Não é o momento”, disse ao Expresso um porta-voz desta instituição, que assinala as dificuldades para implantar o sistema em sectores “muito difíceis, como a hotelaria, o turismo ou o comércio” e, além de destacar o contexto desfavorável, sublinha o trabalho prévio que se deve realizar “com o consenso da administração, dos empresários e dos sindicatos” em torno das alterações legais dos convénios coletivos, adaptação dos modelos de contrato laboral e outras questões similares. O Governo espanhol vê a readaptação da jornada laboral como uma iniciativa proveitosa e necessária a médio prazo. O Ministério da Indústria desenvolveu um programa, dotado com €10 milhões a cargo dos fundos Next Generation para estimular 150 empresas a implantar a semana de quatro dias, com subvenções entre €2 mil e €3 mil por empregado. Este programa segue-se a um outro posto em marcha em fevereiro, e dotado com €50 milhões, para promover a jornada de 32 horas semanais durante três anos.



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