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Empreender em tempo de crise

Empreender em tempo de crise

A adesão dos portugueses à iniciativa empresarial está a crescer. Multiplicam-se no país as iniciativas de fomento à criação de novas empresas, os concursos de ideias de negócios, as formações para empresários e até para o Governo, estar desempregado pode ser uma boa oportunidade para recomeçar. Mas para os especialistas, o empreendedorismo e a iniciativa empresarial não podem ser encarados como uma resposta imediata ao desemprego. É preciso criar novos negócios que criem novos empregos, mas com responsabilidade.
18.05.2012 | Por Cátia Mateus


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Foi criado em dezembro do ano passado e cinco meses volvidos, o Programa Estratégico +E+I (Mais Empreendedorismo, Mais Inovação) já registou mais de 4000 candidaturas, segundo dados avançados pelo secretário de Estado da Inovação, Carlos Trindade. A adesão ao programa espelha uma vontade crescente de empreender, por parte dos portugueses, mas para os especialistas também é o resultado direto de um país em crise, onde as oportunidades de emprego sofreram uma quebra significativa. Uma relação que para muitos pode ser perigosa, se o empreendedorismo for encarado como uma mera solução para o desemprego, sem se ter em conta que lançar um negócio também implica o risco do fracasso, sobretudo em conjunturas de adversidade, e que o financiamento não está agora está facilitado para quem empreende.

Um estudo recente da Amway deixa claro que na Europa, onde a crise também tem os seus efeitos, 80% dos jovens entre os 14 e os 29 anos mostram tendência para o empreendedorismo. Mónica Milone, coporate affairs manager da empresa para a região da Europa, refere que a maior parte dos jovens admitem a possibilidade de criação do seu auto-emprego pela necessidade de maior independência face ao empregador e acrescenta que, no caso específico português, as elevadas taxas de desemprego e a crise que o país vive “despertaram ainda mais o interesse dos jovens pelo empreendedorismo”. A responsável não hesita em afirmar que “nenhuma economia desenvolvida consegue progredir de forma equilibrada e saudável com taxas de desemprego de 14,9%, como Portugal” e adianta que o empreendedorismo é uma resposta à crise. Contudo, acrescenta que “é fundamental que se perceba que para se ser empreendedor não basta ter uma boa ideia. Os manuais estão cheios de boas ideias que nunca saíram do papel ou que morreram pouco depois”. Mónica Milone enfatiza que o empreendedorismo só será uma ferramenta eficaz de combate á crise e uma oportunidade real para quem empreende, “se os empreendedores estiverem cientes das suas obrigações legais, contratuais e fiscais, dos riscos de enveredarem pela criação de um negócio próprio e de terem ou não perfil para serem empreendedores”. Assumir a decisão de empreender, apenas porque têm de resolver uma situação de desemprego, pode por isso não ser um bom negócio.

Mas Francisco Marisa Balsemão, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), defende que falhar é humano e até pedagógico. Razão pela qual, o líder dos jovens empresários diz acreditar que “é fundamental desdramatizar a questão do insucesso empresarial”. Disto depende um empreendedorismo responsável e eficaz, capaz de gerar novos negócios e empregos em Portugal. Disto depende a coragem de muitos portugueses para dar o passo em frente. Para Francisco Maria Balsemão, “o empreendedorismo é fundamental para contrabalançar os postos de trabalho perdidos e fomentar a integração, a mobilidade e a valorização laborais”, mas da mesma forma que há quem perante uma situação de desemprego se lance na criação de um projeto próprio, há também boas ideias que ficam pelo caminho devido ao medo do insucesso. “Portugal ainda tem um estigma muito pesado sobre aqueles que, por diferentes motivos, não são bem-sucedidos nos seus negócios”, argumenta. E esta é talvez uma das principais razões para que a generalidade dos portugueses não consiga partilhar da visão de Pedro Passos Coelho, quando aponta o desemprego como uma oportunidade. A outra razão poderá ser a dificuldade de financiamento, que limita a opção de empreender.

O líder dos jovens empresários são se espanta com a propensão dos portugueses para empreender e até reconhece que “a retração do mercado de trabalho leva muitos jovens a pensarem em criar o seu próprio emprego. O empreendedorismo passou a ser visto como uma forma de contornar o desemprego, sobretudo por jovens menos qualificados e sem grandes alternativas na economia do conhecimento”. Um empreendedorismo de subsistência que tem valor, mas que implica na atual conjuntura enfrentar duras batalhas, como a dificuldade de financiamento e de acesso ao crédito bancário, que é limitado e caro, o excesso de burocracia, o sistema fiscal pesado e complexo ou a lentidão na aplicação da justiça.

Entraves que Francisco Banha, presidente da Federação Nacional de Associações de Business Angels, confirma e aos quais acrescenta o facto de “a generalidade dos jovens portugueses ainda admite não estar bem informada sobre as oportunidades de formação existentes para empreendedores”. Uma realidade que para Francisco Banha representa um risco já que ao criar mecanismos que facilitem a iniciativa, é importante formar os jovens alertando-os para os cuidados acrescidos que é necessário ter quando se cria um negócio em tempos de incerteza.

“Por esta altura é recomendável uma grande dose de racionalidade”, explica Francisco Banha. É importante não embarcar na decisão de empreender só porque se está desempregado e não surgem outras alternativas ou porque o empreendedorismo está na ordem do dia. Minimizar os riscos é a regra que se impõem e há várias formas de o fazer. “Um plano de negócios sólido e credível é o ponto de partida para qualquer projeto. O próprio modelo de negócio tem de ser bem adequado aos recursos do empreendedor e à flexibilidade que é exigida aos tempos difíceis”, explica.

Também para Francisco Maria Balsemão, uma vez debelado o receio de avançar e fracassar, são necessários cuidados. “Impõem-se uma avaliação mais cuidada e rigorosa do risco na tomada de decisões de gestão. Os empreendedores devem ponderar melhor a realização de certos investimentos e dos montantes envolvidos, definir uma política de controlo de custos mais rígida, encontrar fontes de financiamento alternativas ao crédito bancário, posicionar os produtos e serviços tendo em conta a redução da procura, estabelecer parcerias estratégicas com outros agentes económicos, trabalhar mais em rede e cultivar a proximidade consumidor/ cliente”, argumenta o presidente da ANJE que frisa ainda que o mais importante é “avaliar bem se o mercado necessita mesmo do que temos para oferecer, antes de avançar”.

E quem parece beneficiar desta incerteza da crise é o franchising, sobretudo o de baixo investimento. Quem quer empreender com menor grau de risco, procura regra geral conceitos de negócio já testados e implantados no mercado. Andreia Jotta, diretora do Instituto de Informação em Franchising (IIF), confirma que “o desemprego jovem, que ronda atualmente os 36%, tem impulsionado a tendência de empreendedorismo, sobretudo numa faixa etária mais jovem”. A diretora acrescenta contudo que “embora o empreendedorismo possa ser uma opção para muitas pessoas saírem do desemprego, se devidamente orientadas e estimuladas, seguramente não será uma solução milagrosa”. O franchising, reconhece, “poderá ter um papel determinante uma vez que oferece a um perfil de empreendedor, uma estrutura e rede de apoio que pode colmatar muitas falhas associadas à criação de um negócio independente, nomeadamente, na diminuição do risco associado”.

Andreia Jotta confirma um aumento da procura dos negócios de baixo investimento e de auto-emprego. O sector dos serviços é o que reúne maiores oportunidades de negócios low-cost e sem necessidade de espaços comerciais com localização privilegiada. “Este tipo de oportunidades tem-se revelado uma excelente resposta para combater o desemprego e a escassez de financiamento no país”, argumenta a diretora do IIF explicando que “o mercado nacional tem espaço para negócios que criem inovação, sejam de base tecnológica ou não, e que tenham valor acrescentado para o consumidor final, bem como potencial de criação de escala internacional”. A internacionalização é de resto um bom investimento para qualquer empreendedor atual.

Cuidados que podem garantir o sucesso do negócio

. Afira se o mercado necessita realmente do produto ou serviço que tem para oferecer ou quer desenvolver
. Pesquise bem o sector onde vai investir
. Procure conhecer a concorrência e os serviços que oferece
. Defina um plano de negócios onde se avaliem de forma muito realista as várias possibilidades de financiamento do projeto
. Delimite um rigoroso plano de gestão
. Efetue o levantamento de toda a legislação aplicável ao negócio
. Seja rígido nos orçamentos
. Controle rigorosamente os investimentos e os montantes envolvidos, bem como os pagamentos dos clientes
. Posicione os produtos e serviços que vai oferecer em tendo em conta a redução da procura
. Procure estabelecer parcerias estratégicas com outros agentes económicos
. Trabalhe mais em rede e parceria
. Fomente o networking
. Estreite a relação com o consumidor e os clientes
. Posicione-se rumo à internacionalização
. Aposte na inovação, mesmo nas áreas mais tradicionais.
. Se escolher importar um conceito de outro país, tenha em mente que as culturas são distintas e um negócio de sucesso em Londres ou na Austrália, pode não o ser em Portugal,



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