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De malas aviadas

Para aprender um novo idioma, há quem não se fique pelos livros e tome a opção radical de ir morar para outro país. E para os que não podem fazê-lo por sua conta e risco, existem programas governamentais que dão uma ajuda valiosa na realização desse desejo
29.09.2006


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Cátia Mateus O ‘espanholês' que muitos portugueses falam e quase poderia ser considerado um novo idioma nunca agradou a Marta Antero. É bem verdade que Espanha é já ali, e não seria difícil à jovem «designer» passar umas férias no país vizinho para se ambientar com a língua e aperfeiçoar os seus conhecimentos de espanhol. Mas a jovem de 27 anos foi mais radical. Trocou Lisboa por Barcelona para trabalhar, mas também porque quer "falar e escrever um espanhol irrepreensível".


Confessa que sempre gostou do idioma e lamenta que, na escola, o espanhol nunca tenha sido uma opção possível. As suas raízes estão todas em Portugal, mas gosta tanto de Espanha que decidiu, há cinco anos, aprender a dançar sevilhanas. Três meses depois de ter chegado a Barcelona, os progressos eram já visíveis. Marta garante que “a melhor forma de aprender um idioma é a prática”. E esclarece que, “se pudermos combinar esta aprendizagem com uma capitalização de experiência profissional ou académica, tanto melhor”.

O seu caso não é único. O gestor Marco Trindade quis aprender mandarim “para poder ter uma resposta inteligente à célebre piadinha do ‘estou a falar chinês?'”. Fez uma aposta com um amigo em como conseguiria aprender o idioma e inscreveu-se no primeiro curso que encontrou, sem se aperceber que esta brincadeira inocente lhe estaria a abrir portas no mundo empresarial. Marco trabalha há cinco anos em Macau, onde teve oportunidade de aprofundar os conhecimentos de Mandarim que iniciou ainda em Portugal.

O gestor considera que “a vida noutro país, longe da família, confere uma abertura de espírito superior para a aprendizagem ou aperfeiçoamento de um novo idioma. Uma abertura gerada pela necessidade de autonomia e a resolução de situações quotidianas”. Macau não é a primeira experiência de Marco fora de Portugal. Ainda estudante, o jovem gestor, de 33 anos, esteve um ano em Paris ao abrigo do programa Erasmus. O seu francês melhorou consideravelmente. Depois dessa permanência, rumou aos Estados Unidos durante um ano e meio. Como resultado, o seu inglês tornou-se mais fluente.

Para quem não pode, por razões económicas, estudar no estrangeiro, aconselha “mobilidade”. É que para Marco Trindade, “aceitar o desafio de trabalhar fora de Portugal, mesmo que por um curto período de tempo, é alargar os nossos horizontes profissionais mas também assegurar a possibilidade de aprender um novo idioma ou aperfeiçoar um já conhecido na prática, através da convivência com locais e de forma mais célere e eficaz”.

E nem precisa de se lançar nesta aventura por sua conta e risco. O Governo português tem vários programas para quem ambiciona uma experiência profissional além-fronteiras, mesmo que não contemplem directamente a aprendizagem do idioma local, que terá de ficar por conta e risco dos candidatos.

Do Erasmus ao programa Contacto, as possibilidades são várias. Tantas quantos os destinos. O primeiro programa — Erasmus — permitiu a muitos estudantes realizarem um intercâmbio académico e materializar a vontade de estudar noutro país, encurtando não só as barreiras culturais mas também as linguísticas com o país de destino. Já no Contacto, o público-alvo são os jovens profissionais e a ideia é permitir uma experiência noutro contexto laboral que não o português. Também neste caso, o ‘contactante' pode aproveitar a permanência no país para aprender um novo idioma.

Mas além destas hipóteses, o próprio Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) procura fomentar a mobilidade laboral entre os trabalhadores do espaço europeu, chamando a atenção para as vantagens e desafios inerentes ao trabalho noutro país, do ponto de vista pessoal e profissional.

É verdade que os índices de mobilidade entre os trabalhadores europeus permanecem baixos. Apenas 2% dos europeus vivem num país da União Europeia que não o seu, segundo dados do Eurostat. Mas, para os que estão decididos a procurar no estrangeiro uma valorização e conhecimento que não encontram em Portugal, e quem sabe o aperfeiçoamento de outra língua, o IEFP tem boas notícia.

No âmbito do Ano Europeu da Mobilidade dos Trabalhadores, o instituto organiza, em parceria com a rede EURES (presente em mais de 100 cidades da Europa), a Feira Europeia do Emprego e da Mobilidade. O evento, que decorre de 29 de Setembro a 1 de Outubro no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, foi pensado para sensibilizar os trabalhadores para a questão da mobilidade. Durante três dias, os visitantes poderão ter acesso a informação sobre oportunidades de emprego e condições de vida e trabalho noutros Estados-membros.

Uma oportunidade para alargar os horizontes, valorizar-se profissionalmente e, quem sabe, aprender na prática, sem despender muito dinheiro, um novo idioma.





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