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Porto: o desafio da criatividade

Um estudo internacional, apresentado esta semana no Porto, defende a criação de um «cluster» de indústrias criativas na região norte
24.07.2008


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Cátia Mateus

Fazer do Norte a mais criativa das regiões portuguesas é o desafio que se coloca depois de divulgado, durante esta semana no Porto, o estudo ‘Desenvolvimento de um «cluster» de Indústrias Criativas na Região Norte”. O documento — promovido pela Fundação de Serralves, em parceria com a Junta Metropolitana do Porto, a Casa da Música e a Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa do Porto — sugere a criação de uma Agência que viabilize a dinamização das indústrias criativas (IC). Isto porque, segundo o estudo, o Norte já detém uma oferta rica de infra-estruturas, várias entidades apostadas em fomentar e investir na criatividade, falta apenas uma estrutura que articule toda a dinâmica criada.

Numa radiografia do panorama das indústrias criativas na região Norte do país, o estudo agora apresentado dá a conhecer um plano de acção para a materialização de ambições, propondo claramente a criação da Agência para o Desenvolvimento Criativo do Norte de Portugal. Um organismo que deverá trabalhar com parceiros públicos e privados, procurando oferecer um amplo leque de serviços.

Segundo a documento, não há dúvidas de que “a importância da economia criativa é hoje mundialmente reconhecida e que esta, ao ligar aspectos económicos, culturais e sociais e ao interagir com a tecnologia, propriedade intelectual e turismo, promove a criação de riqueza, geração de emprego e crescimento das exportações, contribuindo para a inclusão social e desenvolvimento humano”.

De salientar que na Europa, as indústrias criativas representam um volume de negócios de 646 mil milhões de euros, o equivalente a 2,6% do PIB da UE, com um crescimento anual de 12,3% acima da média da economia. Indicadores que fazem deste um sector apetecível.

Na verdade, este segmento de mercado está já presente em actividade na região Norte, actuando contudo de forma isolada e não global. Trata-se, por isso de, além da criação da Agência, de investir no planeamento e definição de políticas conjuntas que possibilitem, entre outros coisas, tornar atractivos os lugares criativos.

Benefícios fiscais ao investimento nas IC e criação de um fundo regional de investimento, que possibilite alavancar novos negócios nesta área, são algumas das propostas da nova estrutura que encara o centro histórico do Porto como o lugar ideal para a implementação do «cluster».

Além destes, outros desafios se colocam. O especialista britânico e responsável pelo estudo, Tom Fleming, acredita que “o Porto é uma marca com boa imagem externa e uma cidade criativa de enorme potencial que dispõe dos recursos necessários para ser competitiva, quer a nível nacional quer internacional”. Porém, argumenta, “o problema do Porto é que, tal como acontece com a região Norte, não está ainda a conseguir maximizar os seus recursos”. Tom dá como exemplo as centenas de licenciados saídos das universidades nacionais nas áreas criativas, que não conseguem apoios para a criação de empresas e consequente integração na economia local. Uma realidade que urge mudar, bastando para isso, segundo o especialista, um pequeno apoio inicial do Estado.

Mas para Charles Landry, especialista internacional que encara a cultura e a criatividade como veículos para a revitalização das cidades, a questão é ainda mais abrangente. Charles acredita que “só as cidades que souberem valorizar a sua excelência vão progredir no futuro e atrair os melhores profissionais”. Para o especialista, “o preço a pagar por não pensar as cidades de forma cultural, de não cuidar o seu «design» em todos os aspectos e de não as tornar atractivas, vai ser muito elevado. Algumas vão empobrecer e morrer pouco a pouco”.

Charles Landry defende por isso que é fundamental que as cidades descubram quais os nichos de mercado em que se podem apresentar ao mundo como pólos de inovação”.

Uma ideia corroborada pelo ministro da cultura José António Pinto Ribeiro que, ainda assim, defendeu “a necessidade dos agentes culturais se empenharem em explicar claramente aos investidores a cadeia de valor das indústrias criativas” visto que “os investidores são pessoas muito ágeis e práticas, só investem no que conhecem”, enfatiza.

Pinto Ribeiro defendeu ainda a urgência de recentrar o discurso político mais em torno da cultura e assumiu que “a criação de um «cluster» de indústrias criativas é uma meta importante para conseguir a mudança de paradigma, garantindo novas condições de competitividade”.





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