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Jovens 'fogem' do Estado

Jovens 'fogem' do Estado

Nos últimos três anos, o número de funcionários ao serviço do Estado português sofreu uma redução de cerca de 10%. Mas esta não é a única 'revolução' que o sector público está a sofrer. O empregador Estado está também a braços com o afastamento crescente dos jovens. Poucos são os que hoje encaram uma carreira na Função Pública como aliciante.

20.02.2015 | Por Cátia Mateus


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O Estado, enquanto empregador, já não atrai os jovens portugueses. A conclusão resulta de um estudo comparativo focado no posicionamento dos jovens perante o seu futuro profissional, realizado em Portugal, Espanha, Itália e Grécia, enquadrado no âmbito da competição de gestão Young Business Talents, promovida em Portugal pela Nivea. O relatório Young Business Talents, a que o Expresso Emprego teve acesso, revela que os estudantes pré-universitários portugueses consideram que trabalhar no sector público é menos apelativo do que uma carreira no sector privado. Na verdade, só 11% dos jovens portugueses vê o sector público como uma saída profissional interessante. Um afastamento que poderá colocar ao Estado, a médio prazo, um problema de gap de competências.?

Dos quatro países analisados no estudo, Portugal é aquele onde o afastamento dos jovens de uma carreira no sector público é maior. Em Portugal 44% dos jovens encaram como opção de carreira ideal a criação do seu próprio negócio ou um percurso profissional consolidado no sector privado. O cenário contrasta com o país vizinho, onde 30% dos jovens consideram “altamente atrativo” trabalhar para o Estado. Várias são as razões que podem justificar este 'desencanto' dos jovens portugueses por carreiras no Estado, a que certamente não serão indiferentes as políticas de redução de emprego público conduzidas pelo Governo.

Octávio de Oliveira, secretário de Estado do Emprego, prefere encarar a questão pelo seu lado positivo. “A pequena atratividade do empregador Estado aos olhos dos jovens será um indicador muito interessante de que os jovens estão a perceber bem as dinâmicas da sociedade e do futuro” e, acrescenta, “a importância do emprego gerado pelas empresas, e do papel que variáveis como a inovação, o empreendedorismos e o conhecimento podem ter na geração do emprego”.

O impacto da 'fuga de talento'
Octávio de Oliveira diz-se convicto de que os jovens portugueses não são indiferentes às mudanças estruturais ocorridas no país nos últimos anos e não tem dúvidas de que “terão já percebido que o problema do desemprego não se resolve com mais emprego público”. Porém, João Bilhim, presidente da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (Cresap), aponta três razões para o afastamento dos jovens das carreiras no Estado: “há um clima instalado há cerca de 15 anos propício a denegrir o sector público, como despesista e parasita; o mercado de trabalho no sector público está fechado e, persistentemente, faz-se eco de excedentes de trabalhadores e da necessidade de despedir ou requalificar”. ?

Destacando o aspeto positivo da nova geração de profissionais ter um posicionamento mais empreendedor, o presidente do Cresap confessa-se preocupado com o atual cenário ainda que “sem exageros”. Confessa que o preocupava mais o anterior cenário, “em que todos queriam ser funcionários do Estado”, mas reconhece alguma preocupação com a necessidade que o sector público tem de renovação de quadros. “Atualmente, por regra, entram apenas 80 novos quadros, oriundos do Curso de Estudos Avançados em Gestão Pública. Ora, o sector público com as taxas de aposentação e reforma atuais, corre o risco de perder a sua memória (o seu passado). Quando isso acontece é muito mai para a cultura organizacional e a sua eficácia”, realça. ?

Defensor de um modelo de sector público capaz de atrair e reter os melhores e mais bem remunerados, João Bilhim defende que “o sector público precisa de ter poucos, altamente qualificados e bem pagos”. Essa será para o presidente do Cresap a forma de o melhorar e de o tornar aliciante aos melhores profissionais, tanto mais que, como refere, “no passado, o sector público teve muitos e mal pagos, atualmente já não tem muitos, mas encontram-se assimetricamente distribuídos (não correspondem às necessidades nem em quantidade, nem em qualidade) e são muito mal pagos, não desfrutando do prestígio (diferente de poder/autoridade) que mereciam e que é a base para a sedução de novos candidatos ao sector”.



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