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Internacionalização a "todo o gás"

23.01.2004


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Cátia Mateus

O ESPÍRITO académico juntou a equipa e a mente empreendedora de quatro jovens engenheiros aplicou no mercado nacional os conhecimentos retirados dos livros de Engenharia Física. Em 1990, José Basílio Simões, Jorge Landeck, António Bento e António Manuel Morgado criaram, a partir dos bancos da Universidade de Coimbra (UC), a ISA - Instrumentação e Sistemas de Automação.


Com esta "spin-off" universitária introduziram em Portugal a telemetria aplicada a várias áreas de intervenção. A inovação do conceito e a inexperiência da equipa nas matérias relacionadas com a gestão empresarial trouxeram algumas dificuldades iniciais ao projecto, mas a sua reestruturação em 2003 legou à ISA uma posição de destaque no mercado de sistemas de telemetria do gás.

É neste sector que lidera, mas a sua actividade não se resume a esta área. A empresa de base tecnológica actua ao nível do desenvolvimento e comercialização de sistemas de telegestão aplicados ao ambiente, gás, automação industrial, vídeo-vigilância e domótica. Uma diversidade de valências na qual reside, segundo José Basílio Simões, director-geral da empresa, "uma importante parte do sucesso da ISA". A outra face do sucesso é a capacidade de ultrapassar as barreiras e aprender com os erros.

Na realidade, este projecto empresarial resistiu a algumas dificuldades iniciais. E se inovar é desejável, a verdade é que nem sempre o que é novo se torna fácil de comercializar. Esta equipa de jovens empresários sabe-o bem.

Os quatro empreendedores transitaram directamente da universidade para a vida empresarial e cedo perceberam que "as dificuldades relacionadas com a área comercial e gestão estavam a penalizar as potencialidades do projecto".

A inovação dos produtos era inquestionável, assim como o seu contributo para o mercado, e por isso algumas reestruturações bastaram para colocar a ISA na rota certa.

"Estabelecemos algumas parcerias no sentido de colmatar essas lacunas e quase surgimos como uma nova empresa", explica José Basílio Simões.

Contrariando a grande maioria das empresas portuguesas, a ISA é mais reconhecida além-fronteiras do que em território nacional. Para a sua criação foram necessários 50 mil euros e instalações cedidas pela Universidade de Coimbra. Hoje a empresa factura anualmente 600 mil euros, tem sede própria e a exportação representa 80% do seu volume de negócios.

Está presente em países como a Espanha, França, Brasil, Suíça e Escandinávia. As principais petrolíferas e distribuidoras de gás na Europa - Shell, BP, Repsol ou Primagaz - optimizam as suas rotas de distribuição com base nos dados adquiridos pelos sistemas de telemetria da empresa conimbricense. Um panorama que faz os líderes da ISA sonhar mais alto. A empresa quer ser reconhecida no seu país de origem tal como no estrangeiro.

Entre os principais trunfos da empresa, José Basílio Simões destaca "a larga experiência e 'know-how' nas áreas da electrónica e instrumentação, automação e controlo, monitorização e sistemas de telegestão, assim como a capacidade de desenvolver 'software' e 'hardware', o que lhe permite efectuar a integração de diversos equipamentos, de forma a construir uma solução completa customizada para cada cliente".

Pioneira na introdução em Portugal do conceito de telemetria, esta empresa com raízes académicas trabalha também o sector da telemetria aplicada ao ambiente e a concepção de "software" para recolha e processamento de dados da qualidade do ar.

Foi agindo em contra-ciclo económico que em 2002 a empresa operou as suas grandes mudanças. O risco foi muito, mas hoje José Basílio Simões mostra-se convicto de que as reestruturações efectuadas permitiram à empresa resistir à crise e aumentar as suas vendas. "Depois de um período difícil, conseguimos colocar-nos na rota e, neste momento, antecipamos já (por vários contratos firmados) que em 2004 vamos duplicar a facturação", explica o director-geral.

E mesmo num mercado competitivo como este, onde "encontrar os parceiros certos nem sempre é fácil", é possível traçar metas a médio prazo. José Basílio Simões quer ver a ISA "reforçar a sua posição no sector da telemetria do gás; introduzir e liderar em pelo menos três países da Comunidade Europeia os sistemas de telecontagem de contadores de gás doméstico; reforçar a presença comercial na Europa; crescer a uma média de 40% nas vendas anuais e criar um novo produto por ano".

Entre os clientes da empresa encontram-se as principais petrolíferas, autarquias, o Ministério do Ambiente e algumas indústrias. O director-geral da empresa está convicto de que este não é um sector fácil. "Pela sua competitividade, é fundamental o conhecimento do mercado e a aposta num estudo real das suas necessidades", explica.

Depois, é "arriscar, com a consciência de que vai ser necessário muito trabalho e que o lucro não vem rápido". Mas para o responsável, a grande bandeira do sucesso é mesmo "a capacidade de recrutar os colaboradores certos, fomentar o espírito de equipa e motivar as pessoas".

B.I. EMPRESARIAL

NOME: ISA - Instrumentação e Sistemas de Automação, Lda.

ANO DE CRIAÇÃO: 1990 e reestruturada em 2003, altura
a partir da qual se sagrou líder mundial em sistemas
de telemetria aplicados à área do gás

SEDE: Coimbra e representação em vários países (Espanha, França, Brasil, Suiça e Escandinávia)

RESPONSÁVEIS: José Basílio Simões (director-geral), Jorge Landeck (gerente), António Bento, António Miguel Morgado e dois sócios investidores

ÁREA DE ACTUAÇÃO: Desenvolvimento e comercialização de sistemas inovadores para gestão remota aplicáveis às áreas do Ambiente, Gás, Automação Industrial Vídeo-vigilância e Domótica.

INVESTIMENTO INICIAL: 50 mil euros

VOLUME DE FACTURAÇÃO ANUAL: cerca de 600 mil euros

PRINCIPAIS CLIENTES: Shell, Repsol, BP, Primagaz








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