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Engenharia: há 'modas' na escolha da especialidade?

Engenharia: há 'modas' na escolha da especialidade?

É sucessivamente apontada como uma das áreas mais dinâmicas em  matéria de recrutamento, mas o panorama da contratação de engenheiros em Portugal mudou nos últimos anos. O mercado quer engenheiros, mas em distintas proporções de especialidade. Há falta de profissionais em algumas áreas como o têxtil ou as tecnologias de informação, porque as universidades não os formam à velocidade e quantidade que as empresas requerem. Mas há também engenheiros para quem as portas do mercado laboral não estão escancaradas. Há quem fale de 'modas' e tendências na escolha dos ramos de especialidade, destacando o custo elevado que esta prática pode ter no futuro.

21.01.2016 | Por Cátia Mateus


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São mais de 30 as empresas que amanhã estarão estão no campus da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho), em Guimarães, a contratar engenheiros no âmbito da Semana de Engenharia da UMinho. Neste que é um dos pontos altos de uma semana focada na empregabilidade na área da engenharia, este ano dedicada ao tema “Comunicar Engenharia”, estão disponíveis mais de 400 oportunidades de emprego para os estudantes da instituição. Rosa Vasconcelos, vice-presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e presidente do Conselho Pedagógico da instituição, acredita que a maioria destas vagas estará direcionada para áreas como as tecnologias de informação, que atualmente absorve um número considerável de jovens engenheiros, mas realça que há oportunidades e até falta de profissionais outras áreas e que é preciso alargar horizontes na engenharia e ser sensível às vocações dos jovens.

Rosa Vasconcelos reconhece que há áreas da engenharia onde a empregabilidade é mais fácil do que outras, muito embora garanta que os alunos da Escola de Engenharia da UMinho registam bons índices de procura por parte das empresas, “em quase todas as áreas de especialização”. A académica encara como normal a tendência dos jovens sustentarem as suas opções de escolha em matéria de formação, naquilo que são as oportunidades do mercado. Mas enfatiza que o critério não pode apenas esse e realça mesmo que foi a ideia, generalizada há alguns anos, de que o sector têxtil não estava a criar emprego e que por isso não era um investimento seguro enquanto área de formação, que afastou os jovens de uma especialização nesta área e, garante, “deixou hoje o sector a braços com a falta de engenheiros com esta especialidade”. Um cenário que antevê que se repita, a breve prazo, na engenharia civil já que nos últimos anos muitos candidatos se afastaram desta especialidade.

Pedro Martins, sénior manager da Michael Page Engineering & Property, admite que há várias velocidades na contratação de engenheiros em Portugal, com as tecnologias de informação, e algumas especialidades ligadas à indústria (eletrotécnica, metalomecânica, eletromecânica) a gerarem mais oportunidades do que outras áreas como a engenharia civil. “A mão-de-obra qualificada do tecido laboral português é altamente valorizada, o que resulta tanto de uma boa formação académica a nível intermédio e superior como de uma vasta experiência técnica, adquirida na indústria especializada que existe no país. Nomeadamente, a indústria automóvel, metalomecânica, alimentar, plásticos, moldes e aeronáutica, entre outras”, explica o especialista que confirma níveis de procura elevados em sectores como as Tecnologias de Informação, a engenharia mecânica, eletrotécnica, eletromecânica, automação e controlo industrial e reconhece que mesmo a área da engenharia civil, que tem sido muito associada à falta de oportunidades motivada pela recente estagnação do sector nacional da construção que parece começar a inverter-se, continua a registar interessantes níveis de procura.

Segundo a vice-presidente da Escola de Engenharia da UMinho, além do sector lidar com a mudança no foco dos recrutamentos ocorridas nos últimos anos, lida também com o afastamento dos jovens, ainda no ensino secundário, das áreas das ciências e das matemáticas. Uma batalha antiga que se manter por resolver, mas da qual a UMinho não desiste. Uma das apostas desta Semana da Engenharia foi exatamente chamar à universidade os estudantes do ensino secundário, mostrando-lhes as carreiras possíveis na área da engenharia e aproximando-os da profissão. Uma estratégia que considera vital para inverter o problema de falta de profissionais que atinge alguns ramos deste sector. Tanto mais que Pedro Martins acredita que 2016 será um ano positivo para a engenharia nacional “com Portugal a continuar a tendência dos últimos dois anos, onde foram recuperadas várias vagas de contratação”, reforça. “A Indústria e a Construção são sectores fundamentais para o desenvolvimento de uma economia, onde existe um forte investimento privado. 2015 apresentou índices de investimento privado que de um modo geral permitem olhar para o futuro de forma um pouco mis otimista”, enfatiza o sénior manager da Michael Page.



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