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“Há concorrência pelo talento de topo português”

Jorge Valadas 40 anos, consultor da Egon Zehnder em Portugal



13.05.2022



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Jorge Valadas 40 anos, consultor da Egon Zehnder em Portugal

Há 32 anos a ajudar a encontrar gestores de topo para as empresas portuguesas, a Egon Zehnder tem um novo consultor, alguém cuja missão passará muito por trabalhar a internacionalização do talento nacional. Engenheiro de informática pelo Instituto Superior Técnico e com um diversificado percurso profissional, que se iniciou na McKinsey, Jorge Valadas é um dos dois consultores no escritório de Lisboa da empresa de recrutamento.

São muitos os desafios que terá de enfrentar, grande parte relacionada com a globalização do talento. O consultor enumera- os: “A concorrência internacional pelo talento de topo português, hoje mais aberto do que nunca a posições no “Há concorrência pelo talento de topo português” Jorge Valadas 40 anos, consultor da Egon Zehnder em Portugal estrangeiro (ou em Portugal, a servir grandes empresas estrangeiras); a necessidade de maior abertura ao risco, lacuna da média dos gestores portugueses, e, por fim, a dimensão relativa do país, pequeno para ter uma pool de talento diversificada.” E se nunca houve uma procura tão grande por talento português, tornou-se difícil atraí-lo para Portugal. E porquê? “Parte das dificuldades prendem-se com o nível salarial, baixo quando comparado com o resto da Europa. Esta tendência faz com que muitos portugueses com as valências necessárias para posições de topo optem por não regressar.”

As consequências estão à vista. “Esta situação leva a que a economia não se desenvolva a um ritmo tão acelerado quanto poderia, dado que muitos dos nossos melhores executivos vão para empresas sediadas no estrangeiro.” Grande parte do percurso profissional de Jorge Valadas foi feito no exterior e sempre muito ligado à tecnologia digital e de como é que esta afeta o negócio. Regressa a Portugal com “entusiasmo”, para liderar na Egon Zehnder “projetos em todos os sectores e posições de topo em Portugal e contribuir para o desenvolvimento da prática de tech & telecoms da empresa a nível europeu”. E frisa que nutre “uma especial paixão” pelos temas relacionados com impacto cultural das transformações digitais.

Vivemos uma época de internacionalização do talento, considera, tendência que acelerou com a covid-19, já que passou a ser “mais fácil deslocalizar executivos em trabalho remoto". Por isso é cada vez mais normal situações de portugueses a ocuparem posições de relevo no estrangeiro e estrangeiros em lugares de liderança em Portugal. Na sua opinião, a diversidade é uma palavra-chave na gestão, seja ela de género, nacionalidade ou passado profissional. “As empresas estão mais abertas a perfis diferentes do habitual, baseados na competência de liderança e potencial de desenvolvimento — mesmo que originários de outro país”, indica.

 

FORMAÇÃO
Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico e MBA pelo IESE Universidade Navarra

LEMA
“A vida é demasiado curta para se trabalhar em algo de que não se gosta”

HOBBIES
Passar tempo com a família e o cão, ir ao ginásio “pelo menos cinco vezes por semana”, em nome do “equilíbrio” e para repor a energia. Nos últimos anos, desenvolveu “um gosto particular” por jogos de tabuleiro com amigos e família, que considera “uma forma de conviver com os outros em diferentes dinâmicas, quer competitivas quer cooperativas, para atingir o objetivo”

OBJETO DE CULTO
“Definitivamente, o iPhone, viver sem estar a par do que se está a passar é algo com o qual ainda estou a encontrar um equilíbrio”

PERCURSO
Esteve sempre ligado ao tema da tecnologia digital e de como é que esta afeta o negócio. Começou com a McKinsey em Lisboa no Business Technology Office que, depois, evoluiu para o que hoje é a McKinsey Digital. Ao serviço da consultora esteve em São Paulo, “de onde servi grande parte da América Latina, tendo feito projetos no Brasil, Peru, Argentina, México e Colômbia”. Entretanto, foi
desafiado para a Oracle Digital e entrou no mundo das empresas business to business. Deixou a Oracle para integrar, agora, a Egon Zehnder

LIVROS
“Winning from Within”, de Erica Ariel Fox, e “The Light Fantastic”, de Terry Pratchett

 

Textos Anabela Campos






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