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Um quarto dos portugueses vai trabalhar para o turismo

Um quarto dos portugueses vai trabalhar para o turismo

Estimativa Entre empregos diretos, indiretos e induzidos pelo turismo, o sector ?promete sustentar acima de um milhão de empregos em Portugal no espaço de uma década

Joana Nunes Mateus

03.07.2017


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As previsões são do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), a entidade de referência do sector turístico a nível internacional que se juntou aos especialistas da Oxford Economics para estimar o impacto económico e a relevância social que o turismo vai protagonizar em cada país no espaço de uma década.

Para Portugal, as estimativas do WTTC não deixam dúvidas quanto à hegemonia do turismo. Entre 2016 e 2027, o contributo total do turismo para a economia portuguesa deverá subir, de 16,6% para 18,5%, no que toca ao PIB, e deverá subir ainda mais, de 19,6% para 22,6%, no que toca ao emprego do país.

O contributo total do turismo não se limita a contabilizar apenas os impactos diretos do turismo nos hotéis, bares e restaurantes, agências de viagens, guias turísticos e demais serviços de alojamento, cultura, recreação e lazer diretamente alimentados pelos gastos dos turistas. Também estima os impactos indiretos e induzidos que o turismo tem sobre outros sectores de atividade a montante e a jusante desta cadeia de valor, a começar pelos milhares de fornecedores que alimentam a indústria do turismo em Portugal.

Entre empregos diretos, indiretos e induzidos, o turismo promete superar, na próxima década, o milhão de empregos em Portugal. Pelas estimativas do WTTC, os empregos sustentados pela atividade turística atingirão, em 2027, os 441.000 postos de trabalho diretos em atividades turísticas e os 593.000 de postos de trabalho indiretos ou induzidos por este boom de turistas noutros sectores de atividade da economia portuguesa. Tudo somado, estão em causa 1.034.000 postos de trabalho, o equivalente a 22,6% do total da população empregada em 2027.

De forma direta, indireta ou induzida, a verdade é que o turismo já sustenta hoje um em cada cinco postos de trabalho existentes em Portugal. Dentro de uma década, serão praticamente um em cada quatro os empregos do país a depender do turismo.

A nível europeu, só haverão quatro mercados laborais mais dependentes do turismo do que o português em 2027: Chipre (26,5%), Croácia (27,3%), Grécia (27,9%) e Malta (37,3%). Já a nível internacional, destacam-se ilhas exóticas como Aruba (94,3%), Virgens Britânicas (79,7%) ou Anguilla (73,5%).

A nível mundial, a WTTC estima mesmo que o sector das viagens e turismo seja responsável pela dinamização de 23% da criação total de emprego durante a próxima década. O turismo promete responder por um em cada nove empregos no mundo em 2027, quando hoje já sustenta duas vezes mais empregos do que sector financeiro, cinco vezes mais empregos do que a indústria química ou seis vezes mais empregos do que a fileira automóvel.

Revolução a estudar

Para o investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e antigo secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, basta passar pelas dezenas de tuk-tuk que diariamente aguardam pelo desembarque dos turistas dos navios de cruzeiros em Santa Apolónia para se perceber a “revolução sem precedentes” que está em causa nos perfis de trabalho e emprego do país, com destaque para Lisboa ou Porto.

“Num curto espaço de tempo, desapareceram milhares de empregos em diversos sectores, enquanto milhares de outros empregos foram criados em atividades direta ou indiretamente ligadas ao turismo. O problema é que não temos conhecimento suficiente desta nova realidade. Importa não entrar em euforia e estudar melhor que empregos estão a ser criados, de modo a desenvolver políticas públicas que evitem que o saldo seja empregos menos qualificados e mal remunerados. Nesse caso, o cenário seria muito bonito para os turistas estrangeiros, mas muito feio para os trabalhadores portugueses”, diz Carvalho da Silva.

Aposta na formação

“Todos sabemos que os recursos humanos são uma peça-chave do turismo e têm de ser valorizados”, defende a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que explicou ao Expresso como “esta mudança de paradigma” deve ter como efeito uma maior valorização das pessoas e das condições de trabalho e uma maior exigência quanto às qualificações. “É por esse motivo que estamos a fazer uma grande aposta na formação das pessoas no turismo. Esta é, aliás, uma das metas definidas na Estratégia Turismo 2027 que apresentámos em março deste ano e onde definimos duplicar, em 10 anos, o nível de habilitações do ensino secundário e pós-secundário no turismo, de 30% para 60%.”

A governante destaca a grande capacidade de criar emprego que o turismo tem criado em Portugal. “Entre 2011 e 2015, perderam-se cerca de 10% dos postos de trabalho no turismo, tendência que inverteu a partir de 2016. Hoje, já recuperámos o emprego perdido nos anos de 2011 a 2015 e estamos a crescer a ritmo de 11%. O alívio da tesouraria das empresas resultante da redução do IVA na restauração foi um elemento determinante, contrariando o criticismo de muitos incluindo organizações internacionais. Particularmente importante é o facto de este crescimento se verificar durante todo o ano e não só na tradicional época alta, promovendo relações de trabalho duradouras”, realça a secretária de Estado.

Ana Mendes Godinho considera as estimativas da WTTC “bastante positivas”, demonstrando a forma como a atividade turística é importante para toda a economia. “O impacto do turismo faz-se sentir nas mais diversas atividades. Quando apontamos, como meta para 2027, as 80 milhões de dormidas, estamos conscientes de que esse número implica um crescimento significativo em diversas indústrias que não apenas do turismo, mas que sentem o seu impacto positivo. São, portanto, bons indicadores. Temos de continuar a trabalhar para que sejam uma realidade.” 



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