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Tecnologia procura profissionais

Tecnologia procura profissionais

Desemprego zero. É esta a análise que a startup Jobbox faz do setor das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em Portugal. A startup realizou em novembro um levantamento para compreender as necessidades e ambições dos profissionais do setor e concluiu que a área não só está próxima do pleno emprego, como regista défice de profissionais qualificados nalguns segmentos específicos. Faltas que muitas empresas estão já a colmatar recorrendo à reconversão de profissionais de outras áreas.

12.12.2014 | Por Cátia Mateus


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Em Portugal, há um grupo de profissionais que está próximo do pleno emprego. Segundo José Vicente Paiva, co-fundador da Jobbox, a startup portuguesa focada em facilitar a colocação de profissionais da área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em funções de caráter tecnológico - que realizou um levantamento das necessidades de profissionais do setor -, a totalidade dos 102 profissionais inquiridos no estudo estava empregada e a exercer funções compatíveis com a sua área de formação. Números a que o gestor acrescenta a percentagem de 63% de profissionais que admitem sair do país para impulsionar a sua carreira, para reafirmar que “é urgente criar melhores serviços que ajudem estes profissionais a encontrar nas empresas portuguesas, sejam elas grandes corporate business ou pequenas startups, uma situação profissional que os satisfaça, rentabilize e retenha”. Na verdade, um número crescente de empresa já o estão a fazer e outras, estão a apostar na requalificação de profissionais de outras áreas para colmatar as lacunas de recursos humanos que as tecnológicas portuguesas estão a enfrentar de forma crescente.

A Randstad Technologies é disso um exemplo. A empresa de recrutamento firmou uma parceria com a tecnológica Coriant para lançar o programa de reconversão “Reprograme a sua carreira”. O projeto está dirigido a profissionais fora do âmbito das tecnologias de informação que, após uma reconversão das suas competências, poderão integrar equipas de desenvolvimento de software. A iniciativa piloto arrancou com dez participantes e terá uma duração de quatro meses. Pedro Mota, diretor comercial da Randstad Technologies, confirma a forte adesão a este programa que contemplou um rigoroso processo de seleção de profissionais  em situação de desemprego ou funções temporárias e reconhece que “a readaptação para o mundo das tecnologias está a superar as expectativas de todos”.

O princípio de orientação do projeto da Randstad é em tudo semelhante ao seguido por empresas como a Alphappl, integrada no programa Ativar Portugal (www.ativarportugal) que desde março deste ano já requalificou 100 profissionais, ou pela ITGrow com o seu programa Acertar o Rumo que já soma várias edições. A própria Microsoft prepara-se para apresentar na próxima semana a nova oferta de cursos de requalificação profissional do programa de formação, certificação oficial e valorização de competências em Tecnologias de Informação Ativar Portugal que este ano será complementado com o programa Estrelas, um serviço personalizado de colocação no mercado de trabalho para formandos de elevado potencial.

Na maioria dos casos, os cursos de reconversão implicam um custo para os formandos. O valor pode ser alvo de financiamento por parte de instituições bancárias, como é o caso do Ativar Portugal, ou ser reembolsado às entidades formadoras após a colocação no mercado de trabalho. Mas a consultora CB Talents encontrou ainda uma outra alternativa de apoio a esta reconversão. A empresa que acaba de lançar a Academia CB Talents prevê o pagamento da formação pelos próprios formandos, por via de comparticipação ao abrigo de protocolos com entidades públicas, mas também o pagamento a 100% por parte de empresas multinacionais com carência de profissionais tendo como objetivo a posterior integração dos formandos nos seus projetos. “Os cursos da Academia têm um custo definido com os parceiros de formação que são empresas de tecnologia experientes em formar recursos para as suas necessidades internas”, explica Ricardo Nobre, managing diretor da CB Talents e da Academia CB Talents. Segundo o responsável, o custo destas formações varia entre os 350 e os 4000 euros, consoante a exigência da linguagem de programação e o grau de complexidade dos meios envolvidos.

Um investimento significativo para quem se encontra em situação de desemprego, mas que para Ricardo Nobre é seguro. A Academia que acaba de criar espelha, segundo o responsável, as necessidades do mercado global ao nível de profissionais TIC e “os cursos que promove conferem competências técnicas indispensáveis neste setor e garantem um contrato de trabalho numa empresa cliente do grupo, sempre que as competências pessoais do formando estejam alinhadas com as necessidades da empresa que solicita p profissional”. Um contexto que para Ricardo Nobre posiciona a Academia como “uma ferramenta de promoção da empregabilidade, qualificando profissionais com ou sem conhecimentos de programação e cujas competências pessoais e experiência profissional prévia angariada, ainda que noutros sectores, seja uma mais-valia para as empresas de tecnologia”.    

Atualmente a Academia CB Talents tem 30 formandos, metade dos quais residentes em Portugal. A empresa recebe candidaturas de profissionais de vários países e apresenta-as como potenciais candidaturas a vagas de emprego no setor das TIC a empresas clientes da CB Talents. É após a manifestação de interesse das empresas que os candidatos são selecionados para integrar a formação. “Cada formação não poderá exceder os dez formandos e o perfil dos participantes abrange não só profissionais das tecnologias de informação, mas também graduados em diversos cursos não tecnológicos e indivíduos com a escolaridade mínima obrigatória, abrindo portas para uma reconversão na carreira”, explica Ricardo Nobre.

Entre os cursos de formação lecionados a principal aposta da Academia CB Talents vai para s linguagens de programação como a Oracle SOA Suite, Oracle Java, Microsoft.NET, SAP Basis, ainda que estejam previstos outros cursos desenhados à medida das necessidades das empresas e acompanhando as tendências de recrutamento do mercado. “Neste momento, entre as multinacionais clientes da CB Talents, existem mais de 300 postos de trabalho em aberto, inseridos em projetos que irão arrancar em 2015 em Portugal e noutros países europeus”, explica o diretor da empresa enfatizando o forte potencial de empregabilidade que a área das TIC representa em Portugal e no mundo e que faz dela uma porta de entrada de milhares de profissionais para o mercado de trabalho.



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