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Startup Lisboa, cinco anos e 1500 empregos depois

Startup Lisboa, cinco anos e 1500 empregos depois

Desde 2012 a Startup Lisboa alavancou mais de duas centenas de projetos e com eles, a criação de emprego qualificado.

07.02.2017 | Por Cátia Mateus


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“Os últimos cinco anos foram passados a criar o futuro”. É desta forma que Miguel Fontes, diretor executivo da Startup Lisboa, gosta de sintetizar a atividade da incubadora fundada em 2012 por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, do Montepio e do IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação. Na semana em que a plataforma comemora cinco anos de atividade, o diretor executivo partilhou com o Expresso o que mudou no cenário das startups em Portugal e fez contas. Contas aos objetivos cumpridos, aos que se propõe alcançar já em 2017 e aos que estão em desenvolvimento num horizonte de médio prazo. O balanço? Mais de 250 projetos apoiados, entre 3500 candidaturas rececionadas, que ajudaram a criar mais 1500 empregos qualificados e a ambição de já este ano aumentar estes números, com novos espaços de incubação e aceleração de negócios.

Projetos como a Uniplaces, Hole19, Codacy, Vertty, Zaask, Prodsmart, Tripaya, DefinedCrowd, 360imprimir, Faarm e outros outros, fazem parte do ecossistema Startup Lisboa, ora como empresas incubadas ora como alumni (startups que já sairam da incubadora e expandiram). São ao todo 255 projetos que nos cinco anos de existência da Startup Lisboa ganharam dimensão no mercado, com o apoio da incubadora de empresas e da sua rede de mentores. Juntos viabilizaram a criação de mais de 1500 postos de trabalho diretos. Um número que pode mais do que duplicar nos próximos anos, tendo em conta os projetos que a Startup Lisboa tem atualmente em mãos e a sua aposta em captar para Portugal investimento e startups estrangeiras com conceitos de negócio inovadores e de valor acrescentado.

Do Beato à Rua da Trindade
Um parte destes projetos de âmbio mais internacional deverá fixar residência no HUB Criativo do Beato, anunciado em julho de 2016 e em fase desenvolvimento. Se dois edifícios reabilitados na baixa de Lisboa, onde a Startup Lisboa tem a funcionar espaços de incubação, conseguiram acolher empresas capazes de criar centenas de postos de trabalho, imagine-se o que não será possível fazer nos mais de 35 mil metros quadrados do antigo armazém militar do Beato, para onde está projetado aquele que será um dos mais ambiciosos pólos de empreendedorismo nacionais e um dos maiores da Europa. Para Miguel Fontes este é, assumidamente, “o grande projeto da Startup Lisboa para os próximos anos”, a quem a Câmara Municipal de Lisboa conferiu a missão de criar um projeto estratégico para o local.

Sobre ele pouco ainda há a adiantar, a não ser que em pleno funcionamento poderá gerar várias centenas de empregos qualificados e que combinará três eixos estratégicos: “o do empreendedorismo (áreas de aceleração de empresas, incubação, espaços de cowork e áreas para investidores), unidades empresariais mais tradicionais que ali queiram sedear as suas unidades de investigação e desenvolvimento e também empresas que pela dimensão da sua atuação global aportem valor ao espaço e, um terceiro eixo, relacionado com as indústrias criativas como resposta aquilo que é hoje uma necessidade muito forte de projetos ligados às questões da imagem, do som, do design, das artes plásticas”, explica confirmando “um interesse muito grande de projetos internacionais neste novo hub, cujo objetivo não é agrupar projetos que já existam em Lisboa, mas identificar novos parceiros e startups que dêem uma resposta inovadora às necessidades da cidade”.

Ainda antes do HUB Criativo do Beato entrar em funcionamento, uma nova incubadora, vocacionada para a área de restauração e bebidas (food & beverage), deverá acolher algumas dezenas de novas empresas e empregos. O projeto resulta de uma parceria esta semana anunciada pela Startup Lisboa e a Central de Cervejas (ver caixa). Em cima da secretária de Miguel Fontes estão ainda outros projetos que pretendem dar escala a startups nacionais e atrair projetos internacionais, como o programa The Host que “visa garantir aos empreendedores portugueses que em deslocações ao estrangeiro, possam beneficiar da rede de contactos da Startup Lisboa para ter acesso a um posto de trabalho, salas para reuniões e ligação à internet”.

Não foi a crise, foi a qualificação
O diretor executivo da Startup Lisboa reconhece que nos últimos anos Portugal percorreu um importante caminho até se posicionar como um país para o qual o mundo olha como sede de inovação e de bons projetos. “Há hoje muito mais gente disposta a empreender, o número de incubadoras aumentou exponencialmente, há vários business angels sociedades de capital de risco a querer instalar-se em Portugal e a olhar para os projetos nacionais, há da parte das políticas públicas, um conjunto de mecanismos e iniciativas que está a ancorar este desenvolvimento e que nos permite afirmar que o futuro passa por fazer este ecossistema ganhar escala internacional”, explica.

Mas para o líder da Startup Lisboa qualquer proximidade entre esta abertura de Portugal e dos portugueses à iniciativa empresarial e a crise que afetou o país e colocou milhares no desemprego, é mera coincidência. “Quando estamos a falar de projetos, como os que desenvolvemos com muito sucesso, na área da internet das coisas (IoT), robótica, inteligência artificial, realidade aumentada, estamos a falar de competências de excelência que resultam de uma forte aposta na qualificação. Não estamos a falar de 'desenrascanço'. A dinâmica que hoje temos não é filha da crise”, defende. O diretor executivo relembra que “temos hoje empreendedores de destaque em áreas de grande tecnologia e inovação e só é possível que desenvolvam o que estão a desenvolver, à escala em que o estão a fazer, porque são uma geração muito qualificada. Nada nestes projetos é fruto do improviso. O empreendedorismo que temos é qualificado”.

O futuro é F&B e Fintech
O protocolo foi assinado esta quinta-feira pela Startup Lisboa, a Central de Cervejas e a Câmara Municipal de Lisboa, durante o evento de comemoração dos cinco anos da incubadora de empresas. Não se conhece ainda o montante de investimento envolvido nesta operação, mas são claros os propósitos das três entidades: criar em Lisboa uma nova incubadora empresarial, exclusivamente vocacionada para a área de restauração e bebidas - food and beverage (F&B).

O novo espaço de incubação ficará, avança Miguel Fontes, localizado no edifício contíguo à Cervejaria Trindade, edificada nas ruínas do antigo Convento da Santíssima Trindade, na Rua Nova da Trindade, em Lisboa, propriedade da Central de Cervejas que cede o espaço e assegura, segundo o líder da Startup Lisboa, o investimento na sua capacitação. A nova incubadora deverá estar pronta para receber as novas startups ainda este ano e segundo Nuno Pinto Magalhães, diretor de comunicação e relações institucionais da Central de Cervejas, goza de uma localização privilegiada. Ao todo “serão cerca de 500 metros quadrados dedicados à nova incubadora, que terá uma vocação especifica para projetos de F&B e que será gerida com total autonomia pela Startup Lisboa a quem cabe a seleção dos projetos a incubar”.

Mas esta não será a única utilização do edifício. “Seguindo aquele que é um dos eixos estratégicos da Central de Cervejas, a promoção da inovação, decidimos ceder à Startup Lisboa uma parte do edifício para a instalação da incubadora, criando na restante área outras valências que entendemos relevantes”, clarifica o porta-voz. No espaço, vai assim manter-se uma área polivalente que poderá acolher exposições ou outros eventos de carácter temporário, e será criado um Centro de Incubação da Indústria Cervejeira, promovido e dinamizado pela Central de Cervejas. Nuno Pinto Magalhães reconhece que além do investimento realizado pela empresa com a cedência do espaço de instalação para a Startup Lisboa, será certamente necessário realizar outros investimentos na adaptação do espaço para receber o centro de incubação, mas adianta que “não há ainda números claros sobre esta matéria”.

Para Nuno Pinto Magalhães a parceria agora firmada e que viabilizará a criação da nova incubadora, resulta de uma partilha interessante de visões e conhecimento que une startups a grandes empresas e indústrias, com histórias sólidas no mercado, e que só pode ter um impacto positivo para ambos.

FinTech de olho em Portugal
Mas nem só de tecnologia, turismo, comércio e serviços se pinta o panorama nacional das startups. Segundo Miguel Fontes, “Portugal está a captar um interesse crescente junto inúmeras startups estrangeiras com vontade de iniciar atividade em solo luso”. Um desses projetos é a Chainsmiths, a startup irlandesa de fintech (tecnologia financeira), liderada por Kevin Loaec, que segundo Miguel Fontes “tem estado em contacto com a Startup Lisboa para se instalar na capital e aqui criar uma aceleradora na área das fintech”.

A startup reúne um conjunto de profissionais experientes no universo Bitcoin (desde perfis puramente tecnológicos a especialistas em finanças e gestão) e tem já um leque clientes internacionais, maioritariamente empresas do sector bancário, grandes multinacionais e tecnológicas. Miguel Fontes explica que “chegou a estar em cima da mesa a hipótese da empresa integrar o Hub Criativo do Beato, mas a sua urgência em instalar-se na capital inviabilizou o processo e aguardamos para breve uma reunião com o líder da Chainsmiths para analisar conjuntamente outras alternativas”.



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