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Para onde vão os portugueses qualificados?

Para onde vão os portugueses qualificados?

Portugal enfrentou nos últimos anos a maior fuga de talento qualificado da sua história. O impacto desta vaga de emigração para as empresas portuguesas e para a economia ainda é difícil de quantificar, mas perceber porque partem e para onde partem os nossos profissionais pode ajudar a definir estratégias eficazes para reter talentos nacionais e trazer de volta os que partiram. 

01.04.2016 | Por Cátia Mateus


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Ainda que os especialistas em recrutamento e seleção reforcem que não se deve olhar para o fenómeno da emigração qualificada, exclusivamente, na perspetiva da perda de talento, sendo igualmente importante reconhecer que a experiência internacional dos profissionais portugueses pode ser benéfica para as organizações nacionais que consigam trazer de volta estes talentos, é imperativo reconhecer que a fuga “cérebros” a que nos últimos anos se assistiu em Portugal gerou impacto na economia e na competitividade das empresas nacionais. A real dimensão deste impacto não é, para já, ainda possível de quantificar, mas a consultora Hays tentou uma primeira abordagem a este fenómeno, ao traçar na última edição do seu Guia do Mercado Laboral, uma radiografia da emigração qualificada portuguesa.

O números são de 2016, um ano em que as empresas nacionais perspetivam incrementos nas contratações, mas em que a predisposição para emigrar dos portugueses qualificados se mantém elevada, apesar de inferior à registada no ano anterior: 72%, dos profissionais ativos. Paula Baptista, managing director da Hays Portugal, reconhece que só recentemente o mercado de trabalho qualificado nacional começou a dar sinais de recuperação e que a percentagem pode ser reflexo disso, mas reforça que compreender porque partem e o que procuram os talentos portugueses altamente qualificados que trocaram o país pelo estrangeiro, é fundamental para pensar “num plano nacional estruturado de valorização do capital humano e criação de verdadeiras oportunidades de valorização profissional”, é essencial não só à retenção dos talentos portugueses como à recuperação dos que emigraram. Um desafio que se torna ainda mais crítico quando “a escassez de determinados perfis fundamentais para sectores-chave da economia portuguesa já se faz sentir e prevê-se que se torne problemática a curto prazo”, explica.

Segundo o estudo, a disponibilidade dos profissionais portugueses para emigrar atingiu o seu pico em 2013, com 80% dos talentos nacionais no ativo a ponderarem uma saída, mas desde 2009 que a percentagem se mantém acima dos 70%. É nas áreas da Engenharia e do Turismo e Lazer que a predisposição para a emigração é maior, com 78% dos profissionais inquiridos a reconhecerem a abertura a oportunidades de trabalho internacionais. Mas no sector das Tecnologias de Informação, onde as empresas portuguesas já enfrenta há muito dificuldades de contratação, a disponibilidade para emigrar também é elevada: 73%. O mesmo sucede com a Banca e Seguros que, fruto da instabilidade do sector e dos despedimentos ocorridos em Portugal, colocou muitos profissionais perante a necessidade de equacionar novas opções de carreira no estrangeiro.

Os portugueses que emigraram
Segundo a “radiografia” nacional realiza pela Hays à emigração Portuguesa, a maioria dos profissionais qualificados que nos últimos cinco anos rumaram aos estrangeiro foram homens (74%), com idades compreendidas entre os 31 e os 50 anos, e formação nas áreas da Contabilidade e Finanças (21%), Engenharia (12%), Indústria e Produção (10%) e Tecnologias de Informação (9%). “O principal motivo associado a esta fuga de talentos prendeu-se com a procura de melhores condições de trabalho, reforçada por uma tentativa de identificação de outras culturas onde o talento fosse premiado e os esforços recompensados, quer em termos de carreira profissional quer no âmbito do impacto salarial”, explica Paula Baptista.

Independentemente das motivações que os levaram a emigrar, 78% dos profissionais concordam que lhes foram reconhecidas no estrangeiro competências que que não eram valorizadas em Portugal. Para a especialista, “o facto destes profissionais trabalharem em áreas com uma boa dinâmica de criação de emprego em Portugal, como a das Tecnologias de Informação ou a Engenharia, coloca algumas questões sobre a nossa capacidade nacional de atrair, reconhecer e premiar talento em funções tão procuradas e necessárias no atual mercado de trabalho português”. Na verdade, quase 80% dos profissionais que sairam de Portugal nos últimos cinco anos fizeram-no para assumir propostas mais interessantes no estrangeiro. Um indicador que, segundo o estudo, parece reforçar que as empresas em Portugal não estão a conseguir competir com as condições oferecidas por outros países.

Destinos da emigração lusa
O estudo da Hays questionou os emigrantes qualificados portugueses sobre a sua localização geográfica atual e concluiu que, embora a maioria dos profissionais prefira a Europa como destino - com Espanha e o Reino Unido a liderarem a lista das preferências - a maioria dos talentos nacionais desempenham atividade em destinos como Angola, reino Unido, Moçambique, Brasil e Alemanha. A maioria dos profissionais saiu de Portugal há mais de três e menos de cinco e 82% manifestam, segundo o estudo, vontade de regressar.?Uma perspetiva que segundo Paula Baptista é importante que Portugal saiba aproveitar, otimizando a sua capacidade para receber novamente estes emigrantes qualificados. Só com um plano de valorização profissional estruturado e que ofereça aos profissionais oportunidades reais de desenvolvimento, realça a especialista, as empresas conseguirão reter os talentos que não partiram e conquistar de volta os milhares, altamente qualificados, que emigraram e que se mostram disponíveis para voltar.

Top 20 de países preferidos para emigrar

Reino Unido - 60%
Espanha - 49%
Estados Unidos da América - 36%
Suíça - 35%
Alemanha - 30%
Holanda - 29%
Dinamarca - 27%
França - 27%
Suécia - 26%
Austrália - 25%
Brasil - 25%
Itália - 25%
Noruega - 24%
Canadá - 22%
Irlanda - 22%
Luxemburgo - 22%
Bélgica - 19%
Finlândia - 16%
Nova Zelândia - 16%
Emirados Árabes Unidos - 15%

Fonte: Guia do Mercado Laboral Hays 2016



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