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Para 79% dos líderes é difícil contratar

Para 79% dos líderes é difícil contratar

O otimismo reina entre os empregadores nacionais, mas contratar em Portugal pode não ser fácil em 2017. Pelo menos em alguns sectores.

09.01.2017 | Por Cátia Mateus


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Pela primeira vez em nove anos, a percentagem de empregadores que pretendem recrutar em 2017 (73%) é superior à dos profissionais que consideram mudar de emprego nos próximos 12 meses (71%). A conclusão é avançada pelo Guia do Mercado Laboral 2017, elaborado anualmente pela consultora de recrutamento Hays, a que o Expresso teve acesso em exclusivo. O estudo dá conta de uma onda de otimismo que envolve as novas contratações em território nacional, e que se vem acentuando desde final do ano passado, mas segundo Paula Baptista, diretora-geral da Hays Portugal, não fica imune a um problema cada vez mais expressivo: “79% das empresas portuguesas inquiridas no âmbito deste estudo apresentam já dificuldades em recrutar talento”, alerta.
O mercado está mais dinâmico e quer contratar, mas encontrar os profissionais certos está longe de ser uma equação matemática de solução perfeita. Há sectores de atividade onde as dificuldades são mais expressivas. À já histórica dificuldade em contratar profissionais com as competências certas para a área das tecnologias de informação, “onde o fosso de competências permanece abissal”, Paula Baptista junta agora a área comercial, que tem hoje mais exigências ao nível do conhecimento transversal do negócio, alguns sectores da indústria e até a área dos shared service centers (centros de serviços partilhados) que, pelo crescimento que têm registado em Portugal e pelas exigências que colocam ao nível da fluência de idiomas menos comuns, colocam desafios crescentes na identificação de talento.
Carla Rebelo, diretora-geral da Adecco Portugal, acrescenta a esta lista sectores que até aqui seriam apontados como improváveis quando falamos em dificuldades de contratação: Turismo e Imobiliário. No primeiro caso, “a procura é de tal forma grande, fruto da expansão que o turismo nacional tem registado (e que se prevê que continue) que muitas empresas já consideram contratar profissionais de outras áreas de formação”. No segundo caso, a recuperação que o sector tem vivido nos últimos anos, aumentou de forma repentina a necessidade de profissionais qualificados e com competências que vão hoje muito além do simples “jeito para as vendas”. Perfis qualificados em áreas diversas, como a área jurídica, fiscalidade, engenharia, arquitetura e outras têm hoje lugar nesta indústria em acelerado crescimento. “Este é hoje um dos sectores que abarca uma maior diversidade de profissionais pela natureza das suas qualificações, mas a taxa de rotação entre empresas é muito elevada e alimentar a necessidade de profissionais está progressivamente a tornar-se mais complexo”, explica a diretora da Adecco acrescentado que “a procura está em alta, as comissões são aliciantes e há muita flexibilidade dos profissionais para mudar, colocando às empresas grandes desafios ao nível da retenção de trabalhadores”.

Danos na produtividade
Paula Baptista realça que entre os 79% de empresários portugueses que admitiram dificuldades de contratação no âmbito do estudo realizado pela empresa, “quase um quarto admitem que esta dificuldade motivou algum tipo de quebra na performance ou nos resultados do negócio”. E o cenário pode agravar-se. Basta olhar para as conclusões do ManpowerGroup Employment Outlook Survey, para o primeiro trimestre de 2017, para constatar que a projeção para a criação líquida de emprego em Portugal é 5% (mais um ponto percentual do que no trimestre anterior) e que entre os sectores que perspetivam maior criação de emprego estão a Restauração e Hotelaria (+15%), um dos apontados por Carla Rebelo na lista dos que enfrentam maiores dificuldades de contratação.
Reconhecendo que existem diferenças significativas de sector para sector e desafios distintos ao nível da captação e retenção de talentos, Mafalda Vasquez, diretora da MSearch, empresa de recrutamento do grupo Multipessoal, realça que em algumas áreas, como as tecnologias de informação, “não só há pleno emprego, como os candidatos estão mais negociadores. Já não se movem apenas pelo salário e querem conhecer o projeto, a posição da empresa no mercado e face à concorrência ou as opções de progressão na carreira”, explica. Segundo a especialista, muitas vezes os processos de negociação são longos e no final os profissionais acabam por não estar disponíveis para mudar, mesmo por um salário superior.
Apesar destas dificuldades, as líderes das três empresas de recrutamento antecipam um 2017 dinâmico em matéria de contratações, ainda que com grandes desafios sob o ponto de vista da gestão estratégica dos recrutamentos, da retenção de talento nas empresas e até da própria mudança dos processos de trabalho. Mafalda Vasquez fala, por exemplo dos desafios inerentes à evolução e aceitação do trabalho remoto e da relevância do Big Data para as empresas que procuram a todo o custo acompanhar a velocidade da revolução digital.
Sector comercial (gestores de contas e técnicos comerciais), tecnologias de informação (programadores, especialistas em segurança, business intelligence e big data) e indústria (gestores industriais, de manutenção ou produção para indústrias têxtil, alimentar, metalomecânica, automóvel ou aeronáutica) estarão, segundo Paula Baptista, entre os perfis mais procurados durante este ano.



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