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"O recrutamento complicou-se muito nos últimos anos"

A recuperação económica e a concorrência entre as empresas trouxeram novos desafios à contratação, diz Diogo Alarcão, CEO da consultora Mercer

06.03.2017 | Por Cátia Mateus


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A navegar a onda do crescimento económico e da expansão internacional dos seus projetos, a consultora Mercer tem o mesmo objetivo que a generalidade das empresas nacionais: atrair os melhores talentos para a sua equipa. No último ano integrou 50 novos talentos. Para 2017 a meta são 40, com mais alguns reforços que possam vir a ser necessários para reforçar equipas específicas. Mas a tarefa de contratar, e sobretudo de contratar bem, já foi mais fácil para as empresas nacionais. “O recrutamento complicou-se muito nos últimos anos e está hoje muito mais difícil”, reconhece Diogo Alarcão, diretor executivo (CEO) da Mercer em Portugal.

A recuperação económica, depois de um ciclo económico conturbado que levou muitas organizações a realizar despedimentos ou adiar novas contratações, impulsionou, desde o último ano, as intenções de contratação das empresas, e com elas a “guerra” pelos melhores profissionais do mercado. Uma conjuntura que leva o líder da Mercer a assumir que em algumas áreas, como as matemáticas ou as ligadas à estatística, ambos perfis preferenciais para a Mercer, “é já muito difícil contratar”.
Nos últimos dez anos, a equipa da Mercer em Portugal passou de 70 para 270 profissionais. Um crescimento de 200 profissionais que Diogo Alarcão considera particularmente relevante “num contexto nacional que viveu em parte destes anos, um contexto económico muito adverso”. Parte deste crescimento está sustentado na aposta realizada pela empresa, entre 2006 e 2008, na criação de centros de serviços partilhados na área Atuarial e na área de monitorização de Fundos de Pensões, que permitiu à empresa tornar-se exportadora de serviços de consultoria e com isso criar emprego em Portugal.

São neste momento dois os centros de excelência que a empresa tem a funcionar em solo nacional (em Lisboa) e que a partir de Portugal prestam serviços a clientes de 11 geografias distintas, maioritariamente europeias. “Um destes centros trabalha a área Atuarial e outro está mais vocacionado para trabalhar a área de Fundos de Pensões”, explica o CEO acrescentando que existe ainda no Porto uma terceira estrutura, de menor dimensão, que realiza todo o trabalho realizado com a administração dos Fundos de Pensões. Uma equipa que Diogo Alarcão admite reforçar a breve prazo. Tanto mais que estas estruturas têm levado a empresa a consolidar uma forte presença internacional nos últimos anos. “Neste momento, o negócio internacional já representa mais de 50% da nossa atividade”, adianta Diogo Alarcão que prevê para 2017 um crescimento do peso da exportação de serviços no balanço final da empresa.

A ambição da diversidade
Entre os 40 talentos que a Mercer quer este ano integrar estão maioritariamente perfis qualificados nas áreas de Matemática, Engenharia, Finanças, Economia e Gestão. Mas o líder não coloca de lado outros perfis, oriundos até das ciências sociais e humanas. “Uma das estratégias de gestão da Mercer está sustentada na diversidade. Não apenas diversidade de géneros, etnias e idade, mas também de qualificações”, explica o diretor que confirma ter entre a sua equipa, por exemplo, psicólogos. Mas apesar desta bandeira da diversidade, a empresa continua a ser dominada por mulheres e perfis mais jovens.

Sessenta por cento dos quadros da Mercer Portugal são mulheres e Diogo Alarcão confirma que com 50 anos, é o mais velho da empresa. Com efeito, a Mercer recruta quase em exclusivo jovens à saída das universidades - ora identificados em feiras de emprego académicas, onde a empresa é presença regular, ora em plataformas sociais como o Linkedin, “cada vez mais usadas não só para identificar talento, como para perceber o que está a fazer a concorrência” - mas o CEO assume querer reforçar a presença de perfis seniores, cuja experiência considera determinante para funções específicas no contexto de atuação da Mercer.

A maioria dos talentos recrutados para a empresa chega através de estágios, cuja taxa média de retenção supera os 90% e só não é maior porque, explica, “muitos dos talentos da nova geração, com 22 a 24 anos, estão focados em somar experiências em início de carreira e no fim do estágio querem conhecer outros projetos”. Um desafio de retenção que para o líder da Mercer é apenas um entre os vários que o novo contexto económico e a concorrência entre empresas trouxe ao recrutamento. A braços com a tarefa de identificar, atrair e reter na Mercer 40 novos talentos este ano, Diogo Alarcão reconhece que “todo o discurso, oportunidades, desafios propostos à nova geração de profissionais é, forçosamente, diferente do que conhecemos até aqui”. “Há uma pressão muito forte no mercado atual na luta pelo talento”, reforça acrescentando que esta é uma geração que precisa de se sentir desafiada e “a quem as empresas têm de conseguir apresentar uma proposta de valor que não seja apenas monetária, mas também de participação nas próprias decisões e de crescimento dentro da organização”. É essa a sua estratégia na Mercer.



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