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Indústria farmacêutica paga os salários ?mais altos em Portugal

Indústria farmacêutica paga os salários ?mais altos em Portugal

Estudo global revela que três das dez carreiras mais bem pagas em Portugal, ?para profissionais com menos de cinco anos de experiência, estão nas farmacêuticas 

19.12.2018 | Por Cátia Mateus


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Um diretor de unidade de negócio na indústria farmacêutica nacional, com um percurso até cinco anos de carreira, ganha em média €90 mil brutos anuais. E o valor aumenta se considerarmos componentes variáveis, prémios e outros benefícios em vigor na empresa. No mesmo patamar de experiência, um diretor financeiro ganha em média €68,5 mil, um diretor de comunicação €59 mil e um diretor jurídico €57,5 mil. Estes são os profissionais mais bem remunerados do mercado nacional, no patamar inicial da carreira (até cinco anos de atividade), segundo as contas da consultora de recrutamento Hays, que divulgou esta semana o Guia do Mercado Laboral. 
 
O estudo, que identifica as tendências de recrutamento e evolução salarial nos vários países em que a empresa atua, mostra que três das dez carreiras mais bem pagas são do sector farmacêutico, mas deixa claro que alguns profissionais das áreas financeira, de comunicação, legal, tecnológica, indústria automóvel e turismo a comunicação podem também beneficiar do que Paula Baptista, diretora-geral da Hays Portugal, classifica de “um mercado liderado pelo candidato”, onde os salários são cada vez mais determinantes para captar e reter talentos que escasseiam.  
 
O último ano foi de aumentos. Nos salários, nos benefícios e até nas promoções dos trabalhadores, conclui a líder da Hays. Nas contas da empresa — que parte de inquéritos realizados a 3136 profissionais qualificados e 603 empregadores em Portugal — 74% das empresas aumentaram o salário dos seus profissionais durante este ano, 28% reforçaram os benefícios e 48% realizaram promoções internas. “E a tendência é para continuar em 2019”, revela  Paula Baptista. 
 
E num mercado dominado pela tecnologia, os dados demonstram que não foi este o sector que mais beneficiou com aumentos salariais face a 2017. Onde os salários mais cresceram, nos patamares iniciais da carreira, foi na área do Marketing e Comunicação, que agrega seis das dez profissões que registaram maior incremento salarial nos últimos dois anos. Um dos exemplos são os especialista de trade marketing (marketing comercial) que registaram uma valorização de €10.800 no salário médio anual bruto (em termos absolutos). No mesmo patamar estão os diretores de comunicação e os responsáveis de comunicação, com valorizações salariais médias de €15.500 e €9500 brutos anuais. 
 
Guerra pelo talento ?agrava-se em 2019
Paula Baptista relaciona estes incrementos com uma clivagem cada vez maior entre as necessidades e intenções de contratação das empresas e os profissionais disponíveis para aceitar novos desafios, que se vem acentuando desde 2016. E, acrescenta a especialista, em 2019 essa clivagem poderá mesmo aumentar: “segundo os resultados do estudo, 82% dos empregadores pretendem contratar — o valor mais alto alguma vez verificado no inquérito — e apenas 70% dos profissionais qualificados têm vontade de aceitar um novo projeto”.
 
Entre as áreas que se antecipam como críticas sob o ponto de vista da captação de talento qualificado em Portugal no próximo ano estão a comercial (referida em 31% das intenções de contratação das empresas), engenharia (30%), tecnologias (26%), administração/suporte (16%) e marketing e comunicação (15%).  Na decisão de mudança dos profissionais pesa sobretudo o salário, as perspetivas de evolução de carreira e a relevância dos projetos. É com estes argumentos que as empresas devem abordar os candidatos. E isto constitui para Paula Batista um enorme desafio, sobretudo para as empresas nacionais. “A passividade dos profissionais na procura de oportunidades de carreira, associada às consequências de uma enorme fuga de talento qualificado para o estrangeiro durante o período mais crítico da crise, exigem ações imediatas, sob pena de perdermos as oportunidades únicas que Portugal apresenta neste momento”, alerta.
 
Para a diretora-geral da Hays, “é urgente que as empresas nacionais procurem acompanhar, dentro das suas possibilidades, os exemplos mais atrativos do mercado”. Paula Baptista recorda que “centenas de empresas estrangeiras estão a entrar no país, apresentando uma estratégia de employer branding sólida e uma oferta salarial acima da média”. A especialista reconhece que muitos empresários portugueses, com memória das recentes dificuldades económicas, estão ainda reticentes em aumentar significativamente o peso dos seus custos fixos, mas reforça que “este é o momento de crescer e apostar em talento, sob pena de perda de vantagem competitiva”. 
 
Experiência pode garantir mais 60% no salário
A experiência paga-se. Em alguns casos, bem. E os dados compilados pela Hays, no Guia do Mercado Laboral,  comprovam-no. Se analisarmos o panorama salarial dos portugueses nos patamares intermédios de carreira (entre seis a dez anos), por comparação com as fases iniciais (até cinco anos de profissão), percebemos que há sectores em que a experiência e a senioridade garantem aumentos salariais brutos anuais na ordem dos 60%. E nestas contas não entram componentes variáveis, prémios ou outros benefícios em vigor nas empresas.
 
O sector do retalho (na área da moda) e a indústria farmacêutica são dois exemplos desta valorização. Segundo as contas realizadas pelo Expresso tendo como base o estudo divulgado esta semana pela consultora de recrutamento, e considerando os salários médios praticados para cada função, um designer de moda pode ganhar com seis anos de carreira mais 65% de salário médio bruto anual do que ganhava quando começou a trabalhar. Na indústria farmacêutica, um especialista de acesso ao mercado (market access specialist), ganhará no patamar intermédio da carreira mais 61%. E estas são as duas profissões que mais ganham com a experiência.
 
Tipicamente, é nas fases iniciais da carreira que os profissionais encontram maior valorização salarial e uma progressão mais rápida. A partir dos dez anos de profissão o ritmo de evolução, quer dos incrementos salariais quer da progressão, tende a ser menor. Mas esta valorização da experiência não é transversal a todos os sectores de atividade, nem às várias profissões dentro do mesmo sector.
Valorização desigual
As Tecnologias de Informação são disso um exemplo. Os números da Hays revelam, por exemplo, que neste sector um diretor de informática ou diretores tecnológicos e de inovação garantem, entre o início da carreira e o patamar intermédio, incrementos salariais na ordem dos 55% e dos 50,2%, respetivamente. Mas um especialista em UX/UI (user experience e user interface design) pode trabalhar dez anos que, à luz dos números da Hays, só ganhará em termos médios mais 0,4% do que ganhava no início da carreira. A explicação é simples: há profissões com maior procura e mais valorizadas do que outras pelo mercado.
 
Apesar disso, Paula Baptista, diretora-geral da Hays Portugal, considera que num contexto de crescente escassez de talento, “Portugal precisa de valorizar a experiência” também a nível salarial, nos patamares intermédios como nos de fim de carreira. “As organizações que têm estado a reforçar as suas estruturas com academias e programas de estágio orientados para recém-licenciados, necessitam de pontos de vista mais experientes para contrabalançar o peso das equipas jovens”, defende.


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