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Como estimular o emprego na era digital

Como estimular o emprego na era digital

Fórum para a Competitividade diz que aposta em novos modelos de ensino e requalificação são essenciais.

17.04.2017 | Por Joana Madeira Pereira


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A globalização, a economia digital e a quarta revolução industrial (Indústria 4.0) estão a alterar o paradigma na economia e na sociedade, mas a maioria dos trabalhadores portugueses ainda não se apercebeu de tal mudança. Esta é a crença (e preocupação) de gestores, economistas e professores catedráticos, que se juntaram para, a pedido do Fórum para a Competitividade, fazerem o diagnóstico e encontrarem a terapêutica possível para o problema do desemprego em Portugal (no âmbito de uma análise alargada aos sectores estratégicos e à qual o Expresso se associa). Apesar de longe do máximo recorde (que chegou a 17,7% no primeiro trimestre de 2013), a taxa de desemprego nacional mantém-se como uma das mais altas da União Europeia. E, sem medidas de fundo e que vão além dos ciclos eleitorais, dificilmente recuperará para melhores níveis, dado o défice de formação da mão de obra portuguesa, que continua a acentuar o desajustamento entre a oferta de qualificações existente e aquelas que as empresas procuram. Nesse sentido, o grupo de trabalho identificou várias dezenas de ações a colocar em prática para estimular o emprego, mas definiu uma dúzia de “medidas prioritárias” para fazer face aos desafios do emprego e da requalificação.

Na era do digital, uma delas passa pelo “reforço, desde o primeiro grau de ensino, da formação competente em matemática, a introdução da formação em inglês [mais à frente no documento, será também vincada a importância do francês], em literacia digital e em competências sociais básicas”. Como lembram os intervenientes, as mudanças disruptivas dos modelos de negócio da Indústria 4.0 darão origem a especializações que não existiam há meia dúzia de anos: um estudo do Fórum Económico Mundial calcula que 65% das crianças que estão agora a entrar no ensino primário terão empregos que hoje ainda não existem. Assim, como forma de combater o desemprego tecnológico, as competências dos trabalhadores terão de se orientar predominantemente para a matemática, a computação e a engenharia, “essenciais às funções da produção industrial futura”. A integração de uma componente prática ministrada em contexto empresarial nos programas de formação (seja nas instituições académicas seja nas profissionalizantes) também é crucial. Célia Reis, diretora-geral da tecnológica Altran e membro do grupo de trabalho, explica que muitas empresas, sobretudo de grande e média dimensão, “já têm os seus próprios programas de formação, construídos à medida das organizações e dos trabalhadores”.

A sua empresa, entre outras iniciativas, firmou uma parceria com os politécnicos da Guarda e de Castelo Branco, que passaram a oferecer aos seus alunos a possibilidade de estenderem temporalmente os seus cursos, intercalando períodos de estágio na Altran. A tecnológica conta com 1300 trabalhadores em Portugal, sendo que 270 estão a trabalhar no centro de competências criado no Fundão. A este interior desertificado chegaram muitas dezenas de engenheiros, e o município, para criar uma bolsa de qualificações para o futuro, decidiu integrar nos currículos das suas escolas, desde o ensino básico, disciplinas ligadas às linguagens de programação e à robótica. A matemática é lecionada através da lógica e de jogos e há turmas a terem aulas exclusivamente em inglês. Este é um exemplo à frente do seu tempo e que, a conselho do Fórum para a Competitividade, deve ser imitado, através do “reforço da autonomia de gestão das escolas”, do “desenvolvimento de programas de capacitação das escolas e dos professores para a economia digital” e da “intensificação dos programas de potenciação do sucesso educativo e da redução do insucesso escolar”. Quando muitos jovens apenas perspetivam o desemprego ou os salários baixos, há que “dar a conhecer as grandes oportunidades do sector digital”, refere.

Apostar nos jovens, não esquecer os mais seniores
O grupo sublinha que “requalificar os jovens é sem dúvida importante, mas não menos importante é requalificar os desempregados com mais de 35 anos”, visto representarem 2/3 dos desempregados. Contudo, porque nem todas as empresas têm os recursos necessários para garantir o sucesso da requalificação dos seus trabalhadores, a análise do Fórum para a Competitividade sugere, entre outras medidas, a promoção de um programa de apoio financeiro às empresas que recrutem adultos com mais de 40 anos, incentivando a sua requalificação e reconversão. E, porque tem de começar a vigorar a mentalidade de que a formação é contínua ao longo da vida de trabalho, também é sugerida a adoção do “contrato privado de formação”, celebrado entre o empregador e o empregado e que, tal como um outro ativo, deverá ser amortizado, no prazo de cinco anos: assim, a empresa garante que o seu investimento não será captado para outra e o trabalhador compromete-se com a sua própria valorização. Em 2016, por exemplo, o grupo Sonae, um dos maiores empregadores nacionais (mais de 40 mil trabalhadores), realizou “cerca de 1,1 milhões de horas de formação, dirigidas a colaboradores de todos os negócios e níveis organizacionais”, contabiliza Luís Reis, administrador da Sonae e também membro do grupo de trabalho.



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