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As competências que nos faltam

As competências que nos faltam

Entre 2011 e 2015, Portugal destacou-se como o país da União Europeia onde a proporção de população empregada no sector tecnológico mais cresceu face ao total do emprego nacional. Mas ainda assim, o país permanece na cauda da Europa (23ª posição) quando a análise foca a percentagem de emprego garantida pelas empresas tecnológicas em solo nacional (2,3%) e continua a ficar aquém da média europeia 3,5%). São precisos mais empregos e mais profissionais no sector tecnológico, mas recrutá-los pode não ser fácil. Não os há número suficiente.

28.10.2016 | Por Cátia Mateus


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“A escassez de profissionais com as competências necessárias é o maior desafio que as empresas têm pela frente. A oferta de emprego e o mercado de profissionais disponíveis na área das Tecnologias de Informação estão muitíssimo desalinhados”, reconhece Joana Panda, team leader (líder de equipa) da consultora de recrutamento Hays. Os números da Comissão Europeia comprovam-no. A previsão é de que em 2020, Portugal tenha um défice de cerca de 15 mil profissionais nas áreas tecnológicas e a Europa de 913 mil. Números que podem aumentar no caso específico português se, por exemplo, o país continuar a atrair investimento estrangeiro nesta área e a posicionar-se como um cluster para centros de competências e desenvolvimento tecnológico de multinacionais, sem conseguir reforçar o número de profissionais que forma anualmente nas áreas das tecnologias e engenharias.

Nos últimos anos, o país até trilhou um percurso positivo, mas o seu impacto fica ainda longe do que é desejável. Segundo dados esta semana divulgados pelo organismo europeu de estatística Eurostat no relatório “Information and Communication Technology (ICT) specialists in Europe”, em 2015 os especialistas em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no ativo representavam 2,3% do emprego total do país, o equivalente a 105 mil profissionais. O número está aquém da média europeia, de 3,2%, mas representa um crescimento significativo face ao apurado em 2011, altura em que a percentagem de empregados no sector tecnológico representava apenas 1,4% do total do emprego nacional. Mas ainda que seja desejável que esta percentagem continue a crescer, ela pode trazer dificuldades acrescidas às empresas se não se fizer acompanhar por investimentos estratégicos ao nível da formação de profissionais nesta área e da reconversão de perfis de outras áreas para carreiras tecnológicas.

“As nossas universidades e escolas não produzem a quantidade necessária de especialistas para satisfazer a procura das empresas”, afirma Carlos Duarte de Oliveira, administrador da New Outsourcing Company (NOC). A empresa é uma das várias organizações que a partir da próxima segunda-feira vai estar a recrutar online profissionais, na área das tecnologias e engenharias, através da plataforma universidades.expressoemprego.pt, no âmbito da iniciativa de recrutamento Expresso Emprego Universidades Job Fair, que a marca de emprego do Expresso tem estado a desenvolver em parceria com um conjunto de universidades nacionais. O administrador já recrutou este ano 44 profissionais para a NOC e tem neste momento 101 processos de recrutamento para diversos projetos e tecnologias. “O crescimento das necessidades das empresas portuguesas e o facto do país se estar a tornar um destino de nearshoring de empresas internacionais, para implantação de fábricas de software ou centros de competências em determinadas tecnologias” é um dos principais desafios que segundo o administrador enfrentam os empresários do sector.

Na NOC a maioria das oportunidades criadas focam perfis da área da programação, analistas funcionais, gestores de projeto, administradores de bases de dados, administradores de sistemas, consultores SAP e Outsystems, em diferentes níveis de senioridade. Um cenário semelhante ao da Tyco Retail Solutions, que estará também a recrutar na plataforma para pelo menos 23 funções. Anouk Eggen, coordenadora de Recursos Humanos da empresa já recrutou este ano 20 profisisonais para a empresa - “desde perfis mais técnicos como programadores de software (C#, mobile - IOS, Androide e outros) e quality assurance, até aos perfis de business development, como business analyst, implementation manager e outros”. Identificar os talentos necessários nem sempre é fácil, reconhece, sobretudo nos perfis de programação. Além no investimento na fase de assessement, a empresa aposta também em estratégias de retenção sólidas que lhe permitam não perder os talentos conquistados. “Na área de IT, além do pacote salarial e do projeto em si, os benefícios não tangíveis são cada vez mais importantes para os candidatos”, realça Anouk Eggen.

Uma relevância que Joana Panda reconhece acrescentando que também ai há um desalinhamento entre as expectativas dos candidatos e das empresas. “Por um lado, os empregadores esperam encontrar competências técnicas muito específicas e desenvolvidas, a valores muito mais baixos do que aqueles que são praticados no momento. Por outro lado, os profissionais do sector esperam encontrar projetos altamente inovadores, práticas de gestão de pessoas modernizadas e salários inflacionados, ao nível do que é praticado no mercado externo”, explica a team leader da Hays. A especialista destaca os bons índices de empregabilidade dos profissionais especializados em TI, mas acrescenta que na engenharia o comportamento não é o mesmo e nem todas as áreas de especialização encontram iguais índices de procura no mercado. “As especialidades que têm empregabilidade quase garantida à saída da universidade são a engenharia mecatrónica, automação, materiais, mecânica e eletrónica, sendo que uma experiência em I&D para aplicações industriais será considerada uma mais-valia”, esclarece.

Embora sejam constatáveis os índices de empregabilidade superiores que os cursos das áreas tecnológicas garantem hoje e da “consciência crescente da importância de escolher um curso que garanta empregabilidade”, a diretora-executiva da EGOR Norte, Isabel Meireles, reconhece que “o estigma da matemática ainda condiciona as escolhas dos alunos logo desde o 3º ciclo e limita, na continuidade, as suas opções no ensino superior”. Um contexto com custo elevados para a economia nacional e que comporta o risco de ver fugir muitas das empresas internacionais desta área que escolheram Portugal para implementar os seus projetos, por falta de recursos humanos qualificados, caso não se consiga reforçar a formação de profissionais na área. “A falta de profissionais qualificados está a ter, e vai continuar a ter, um impacto crescente não apenas nas empresas nacionais mas também nos investimentos das empresas multinacionais que estão a transferir para Portugal operações que até agora desenvolviam noutras localizações e que são atraídas pelas vantagens de custo e pela relativa abundância de recursos humanos qualificados”, reforça.



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