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As batalhas da sucessão

14.03.2008


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Cátia Mateus

As empresas familiares representam uma parcela significativa da economia nacional, mas os seus desafios específicos de gestão ainda passam ao lado de muitos líderes. Da sucessão à gestão de conflitos, estas organizações têm características específicas e necessidades estratégicas que, à luz do estudo ‘Global Family Business Survey', realizado pela PricewaterhouseCoopers, não estão a ser cumpridas eficientemente,

Cerca de 62% das empresas familiares inquiridas neste estudo confessaram não possuir procedimentos de resolução de conflitos entre os membros da família, quer estes trabalhem ou não na empresa. Uma lacuna de gestão que se agrava mais ainda quando metade destas organizações confessa não possuir nenhum plano que defina a sucessão da propriedade da empresa nem conhecer as implicações fiscais em vigor no país respeitantes à sucessão da empresa ou potenciais mais-valias.

Para Jaime Esteves, «partner» da PricewaterhouseCoopers Portugal, “a transmissão da empresa familiar para a geração seguinte é um processo difícil, que requer uma adequada planificação com uma antecedência mínima de três a cinco anos”. O especialista considera por isso que “o facto de metade das empresas inquiridas não possuir um plano de sucessão é uma lacuna grave, pois a experiência demonstra que a falta de consenso na família pode implicar a diminuição drástica da rentabilidade do negócio, a perda do controlo da empresa pela família ou, no pior cenário, colocar em perigo a sua sobrevivência”. Conjuntura agravada se pensarmos que “cerca de 22% das empresas familiares podem atravessar um processo de sucessão nos próximos cinco anos”, explica Jaime Esteves.

Segundo o estudo, 67% das empresas que se preparam para mudar de proprietário nos próximos anos tencionam passar o testemunho à próxima geração. Ainda assim, “17% dos inquiridos admitem a hipótese de venda à equipa de gestão”, revela o documento. E embora 38% admitam existir alguma tensão quanto à estratégia futura da empresa, 62% das empresas reconhecem não possuir qualquer procedimento de resolução de conflitos dentro da organização. Uma ausência que para Jaime Esteves pode ser explicada pelo facto de “78% dos inquiridos acreditarem que existe património suficiente para distribuir entre os membros da família”.

Para o «partner» da Price, é fundamental priorizar um planeamento correcto das sucessões nas empresas familiares, já que “a ausência de planeamento estratégico pode restringir as ambições das empresas, uma vez que a implementação de uma estratégia empresarial clara é essencial para qualquer organização que pretenda não só competir à escala internacional como recrutar talentos e assegurar fontes de financiamento”.





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